Augusto Boal

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Núcleo Maré da Escola de Teatro Popular se apresenta no Museu da Maré

06.10.2026

No dia 1º de outubro de 2026, o Museu da Maré foi palco de uma noite de teatro, poesia e reflexão sobre as experiências da classe trabalhadora, a memória do território e a potência da criação artística coletiva.

A programação começou com “Soma-Subtrai”, cena do núcleo da ETP na Maré, que atua desde 2019. A cena aborda a realidade de trabalhadores por aplicativo e dos serviços, atravessados pela precarização, pela escala 6×1 e por salários insuficientes. Enquanto os lucros se multiplicam para os patrões, o tempo de descanso, o convívio com a família e as condições de vida de quem trabalha são subtraídos.

Ao transformar essas contradições em teatro, a cena dialoga com a mobilização popular pelo fim da escala 6×1 e reafirma a importância da organização coletiva na conquista de mudanças concretas.

Quantas Marés existem na Maré?

Após a apresentação, Beatriz Araújo, monitora do núcleo Maré e coordenadora da ETP, abriu o debate com a leitura de um poema. A conversa contou com Luiz Antônio, do Museu da Maré, e Wallace Lino, diretor e artista, que retomaram a tradição dos grupos de Teatro do Oprimido no território.

Entre as questões levantadas, esteve o desafio de criar arte a partir da realidade da Maré sem reproduzir o imaginário que reduz a comunidade à violência. Como abordar os conflitos e a violência estrutural sem reforçar os estigmas sobre o território?

O debate destacou a pluralidade das experiências que compõem a Maré e a importância de construir narrativas a partir de quem vive e cria nesse lugar. Para o núcleo da ETP, a arte nasce das inquietações individuais, ganha força no encontro com o coletivo e pode abrir caminhos para outras formas de olhar e transformar a realidade.

A programação também contou com a cena “O Inspetor Federal” com João Emanuel WANG e Carlos Emanoel e a performance de Kathita Gringa, ampliando o encontro entre diferentes linguagens artísticas.