A rua é palco da luta: Escola de Teatro Popular no Grito dos Excluídos
10.09.2026
Há 32 anos, o Grito dos Excluídos e Excluídas ocupa as ruas no 7 de setembro para fazer perguntas que a celebração oficial da Independência não responde: independência para quem? Soberania para quem? Quem decide os rumos do país?

No Rio de Janeiro, o Grito se concentra tradicionalmente na região da Uruguaiana, no centro da cidade, enquanto acontece o tradicional desfile militar. De um lado, as Forças Armadas ocupam a avenida com seus uniformes, veículos e aparatos militares para celebrar a Independência do Brasil. Do outro, na mesma manhã e a poucos metros dali, movimentos sociais, organizações populares e trabalhadores constroem outra forma de ocupar a cidade.
Foi nesse espaço de contradição que a Escola de Teatro Popular esteve presente neste 7 de setembro.

Enquanto os militares desfilavam, integrantes da ETP apresentaram uma cena construída coletivamente. A intervenção levou para a rua questões como soberania nacional, os limites da democracia burguesa, a construção do poder popular e a luta por condições concretas de vida digna, como o fim da escala 6×1.
A cena não foi preparada como uma apresentação isolada para o ato. Ela nasceu do próprio processo de formação da Escola, em que as pessoas participantes experimentam coletivamente como o teatro pode intervir na conjuntura, dialogar com quem está na rua e contribuir para a organização das lutas.

A presença da ETP no Grito é, assim, também uma disputa sobre como e para quem o espaço público é ocupado. Enquanto o desfile apresenta os símbolos e os aparatos militares associados à celebração oficial da Independência, o teatro aparece como outra possibilidade de intervenção: uma prática coletiva, construída por trabalhadores e colocada diretamente em contato com as lutas populares.
Depois da cena, a Escola seguiu junto com o Grito pelas ruas do centro do Rio, fazendo do percurso também espaço de encontro, diálogo e intervenção.

A experiência do 7 de setembro faz parte de um movimento que a ETP pretende ampliar nos próximos meses. A Escola busca criar condições para que novas intervenções sejam construídas coletivamente e ocupem as ruas durante a atual conjuntura política e da necessidade de enfrentar o avanço da barbárie.

Porque disputar a rua também é disputar os sentidos da política.
Enquanto uns celebram uma independência apresentada como concluída, o povo continua perguntando: independência para quem?
E a Escola de Teatro Popular responde ocupando o espaço público com aquilo que sabe fazer: teatro para lutar, teatro para organizar, teatro para construir poder popular.
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O projeto “Escola de Teatro Popular” conta com patrocínio do Ministério da Cultura, através da emenda 958743