Oficina de cenografia com Cachalote Mattos fortalece criação coletiva para o 5º Festival Augusto Boal
25.06.2026
No dia 20 de junho, a Escola de Teatro Popular (ETP) recebeu o cenógrafo, pesquisador e educador Cachalote Mattos para uma oficina intensiva de cenografia voltada aos estudantes e integrantes da escola. A atividade faz parte do processo de preparação para o 5º Festival Augusto Boal e marcou mais uma etapa da construção coletiva das cenas que serão apresentados no evento.
Com uma trajetória consolidada no teatro brasileiro e mais de uma década de trabalho ao lado de Augusto Boal, Cachalote propôs uma metodologia baseada na Estética do Oprimido, em que a cenografia é construída a partir da experimentação, dos jogos teatrais e da criação coletiva, rompendo com a ideia de um cenário concebido exclusivamente pelo cenógrafo.
“Toda a base é a Estética do Oprimido. Eu trabalho um conceito de imagem, palavra e som a partir de jogos e exercícios. Vamos criando experiências com o corpo e com a imagem, entendendo o que é metáfora. Depois começamos a experimentar os materiais e transformá-los em objetos de cena, criando toda a imagética do espetáculo e pensando também nos figurinos”, explicou Cachalote.
Durante o encontro, os participantes passaram por exercícios que estimularam a percepção sensorial e a criação de imagens cênicas antes de iniciarem a produção dos elementos que comporão os espetáculos do festival.
Ao final da oficina, cada núcleo retomou o trabalho específico de sua montagem, identificando as necessidades de cada cena e iniciando a confecção dos cenários e figurinos.
“Foi um dia muito prazeroso. Trabalhamos intensamente e agora cada núcleo voltou para a sua cena, identificou o que precisava ser produzido e está criando figurinos e cenário para o espetáculo”, contou o cenógrafo.
Mais do que ensinar técnicas de cenografia, a proposta buscou incentivar os participantes a desenvolverem uma linguagem estética própria, alinhada aos princípios do Teatro do Oprimido.
“No teatro profissional, normalmente eu crio o cenário e entrego o produto pronto. Aqui, dentro do Teatro do Oprimido e do teatro político, a ideia é fazer uma oficina com os participantes e provocá-los a pensar a sua própria estética. É uma forma de enfrentar essa lógica dominante que impõe uma estética única. Os jogos fazem com que eles reflitam sobre a própria opressão, construam uma estética política e se apropriem do seu meio de produção”, destacou Cachalote.
Para os estudantes, a experiência ampliou a compreensão sobre a construção da imagem cênica e mostrou novas possibilidades de criação coletiva.



Marcelo, integrante da Escola de Teatro Popular, destacou o caráter inovador da oficina.
“Foi muito boa a oficina do Cachalote, porque ele trouxe uma coisa diferente, que para a gente foi novidade: utilizar os jogos teatrais para criar cenografia. Na realidade, ele mostrou que a cenografia é a imagem da cena. Utilizamos todos os sentidos, como a visão, o tato e a audição, para construir essa imagem.”
Segundo Marcelo, a metodologia surpreendeu ao transformar os jogos do Teatro do Oprimido em ferramenta para a criação estética dos espetáculos.



“Ele começou explicando todo o trabalho dele, fez os jogos teatrais do Teatro do Oprimido e aplicou esses jogos na construção da imagem cênica. Depois começamos a produzir as ornamentações e os elementos que serão utilizados como cenário das cenas do festival. Foi muito gratificante. Eu esperava uma oficina mais teórica, mas ele colocou em prática a utilização dos jogos para a criação da imagem cênica.”
A oficina integra o processo formativo da Escola de Teatro Popular para o 5º Festival Augusto Boal, reafirmando a proposta pedagógica da ETP de construir um teatro político, coletivo e comprometido com a participação ativa em todas as etapas da criação artística.
_______________
O projeto “Escola de Teatro Popular” conta com patrocínio do Ministério da Cultura, através da emenda 958743
