Augusto Boal

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Trabalho, arte e organização popular marcam a 5ª edição do Festival Augusto Boal

08.07.2026

No dia 4 de julho, a antiga Casa do Estudante da UFRJ recebeu a 5ª edição do Festival Augusto Boal, realizada pelo Projeto Poéticas Populares. Ao longo de um dia inteiro de criação e jogos teatrais, participantes do projeto construíram um espaço de encontro em que o teatro reafirmou sua vocação como ferramenta de leitura crítica da realidade e de organização coletiva.

Antes da abertura ao público, os diferentes núcleos do projeto participaram de atividades de jogos, integração e preparação, fortalecendo os vínculos construídos ao longo do processo formativo. O festival, que reuniu participantes de diferentes territórios, transformou o encontro em um grande ensaio coletivo, em que o compartilhamento de experiências antecedeu a apresentação das cenas.

Neste ano, o festival teve como tema “trabalhar menos, trabalhar todos e ensaiar a revolução”, convidando os grupos a investigarem, por meio da linguagem do Teatro do Oprimido, as múltiplas dimensões da principal contradição que estrutura a sociedade contemporânea: a relação entre capital e trabalho.

As cenas apresentadas pelos núcleos trouxeram ao palco diferentes olhares sobre a precarização das condições de vida, a exploração da força de trabalho, as desigualdades, os sonhos interrompidos e as possibilidades de organização coletiva. A diversidade das montagens revelou que, embora partam de experiências distintas, todas dialogam com uma mesma pergunta: como transformar a realidade a partir da ação coletiva?

O festival também foi marcado por saudações políticas e artísticas de parlamentares, lideranças e organizações que constroem, ao lado do Projeto Poéticas Populares, diferentes frentes de luta em defesa da cultura, da educação e dos direitos populares. Estiveram presentes os deputados federais Chico Alencar e Tarcísio Motta, a vereadora Mônica Benício e a ex-vereadora Luciana Boiteux, além de representantes de organizações parceiras como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Comitê Centro Popular e Revide.

Mais do que um momento de apresentações, o Festival Augusto Boal reafirma o teatro como prática de encontro, reflexão e transformação. Inspirado no legado de Augusto Boal, o festival aproxima arte e organização popular, fazendo do palco um espaço onde a criação artística dialoga diretamente com os desafios do presente.

O festival também marcou o encerramento do intercâmbio cultural com a Montclair State University. Como parte da programação, os estudantes da universidade estadunidense apresentaram cenas construídas ao longo da vivência no Brasil e conduziram sessões de Teatro Fórum, reafirmando o legado de Augusto Boal como uma prática artística e política. Ao convidar o público para intervir nas situações de opressão apresentadas, as encenações transformaram os espectadores em protagonistas, lembrando que o Teatro do Oprimido não busca apenas modificar a cena, mas ensaiar, coletivamente, a transformação da própria realidade.

Encerrando a programação, a celebração continuou com o grupo Xamego Delas, que colocou o público para dançar ao som de um repertório dedicado às compositoras e intérpretes que marcaram a história do forró brasileiro. Entre arrasta-pé, quadrilha e muita música, o festival terminou como começou: reunindo pessoas em torno da cultura, da alegria e da construção coletiva.

Mais uma vez, o Festival Augusto Boal reafirmou que fazer teatro é também produzir encontros, fortalecer laços e imaginar, coletivamente, outros futuros possíveis. Afinal, ensaiar a revolução passa também por criar espaços onde a arte se encontra com a luta e onde o trabalho deixa de ser apenas tema para se tornar horizonte de transformação.

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O projeto “Poéticas Populares” com patrocínio da Funarte, através da emenda 972588