Formar quem forma: o teatro como prática de multiplicação e resistência
23.03.2026
Teve início no sábado, 21 de março, no Projeto Habitacional Mãe Bernadete, a nova turma da Formação de Formadores, iniciativa que reúne participantes interessados em desenvolver o teatro popular como prática artística e ferramenta de atuação crítica nos territórios. O primeiro encontro marcou o começo de um percurso formativo voltado à preparação de multiplicadores, capazes de expandir o acesso à linguagem teatral e fortalecer redes de criação e reflexão coletiva.

É justamente nesse gesto inicial que reside a sua força: formar pessoas capazes de multiplicar conhecimento, linguagem e pensamento crítico em diferentes territórios. A formação de multiplicadores não é uma etapa secundária: é estratégia central. Em um cenário marcado por disputas de narrativa, acesso desigual à cultura e tensionamentos políticos, preparar quem vai levar o teatro adiante é também uma forma de garantir continuidade, presença e transformação.



O primeiro dia foi atravessado por jogos, brincadeiras e dinâmicas coletivas que, para além do aquecimento corporal, funcionaram como dispositivos de reflexão. Entre exercícios e rodas de conversa, os participantes foram provocados a pensar as relações entre forma e conteúdo no teatro popular. Não apenas o que se diz, mas como se diz, para quem e com qual intenção.



Divididos em grupos, começaram a experimentar a construção de cenas a partir de temas ligados à conjuntura atual. As propostas trouxeram à tona questões relacionadas a diferentes formas de opressão, evidenciando o teatro como espaço de elaboração crítica e criação coletiva.
As expectativas dos participantes já apontam para o entendimento do teatro como ferramenta de ação no mundo. Pedro, estudante de Ciências Sociais, compartilhou que “espera do curso que a gente consiga desenvolver um teatro que seja mais político, que funcione como uma ferramenta da revolução”.



Já Eduarda Moura, professora, destaca a dimensão prática e transformadora da formação: “Espero que a gente consiga tocar e aprender técnicas de como a arte pode servir ao povo. Que possa servir como uma ferramenta de luta e de libertação. Que a gente acorde para as opressões que a gente sofre e que, mais para frente, consiga estar mais equipada para levar esse conteúdo também para os meus alunos”.



Ao articular prática artística, reflexão política e construção coletiva, a formação reafirma o teatro popular como linguagem que não se encerra no palco. Ele se desdobra em processos, atravessa corpos e ganha potência quando compartilhado.


Mais do que o início de um curso, este primeiro dia marca o fortalecimento de uma rede em construção — formada por pessoas que não apenas aprendem, mas que se preparam para ensinar, transformar e multiplicar.

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