Festival que celebra os 50 anos do Teatro do Oprimido reafirma a força da dramaturgia brasileira e de suas práticas como ferramentas de leitura do presente
18.12.2025
Realizado em 13 de dezembro, no Sindicato dos Comerciários, no Rio de Janeiro, o 4º Festival Augusto Boal marcou as celebrações pelos 50 anos do Teatro do Oprimido com uma programação que reuniu formação política, debate e apresentações cênicas, reafirmando o teatro como instrumento de análise crítica da realidade e de mobilização coletiva. O festival reuniu grupos e estudantes de diferentes territórios do estado, fortalecendo o encontro entre memória, criação e ação política.

Um dos eixos centrais do festival foi o trabalho dramatúrgico desenvolvido a partir de textos fundamentais da dramaturgia brasileira produzida entre as décadas de 1950 e 1970, período marcado pela consolidação de um teatro crítico, popular e profundamente conectado às lutas sociais. Obras e fragmentos inspirados em autores e montagens emblemáticas desse período deram origem a cenas que abordaram temas como exploração do trabalho, desigualdade social, organização coletiva e resistência popular.

As apresentações foram estruturadas em dois momentos complementares. No primeiro, os grupos apresentaram cenas diretamente inspiradas no teatro político brasileiro dos anos 50 a 70, recuperando personagens, conflitos e estruturas dramáticas que ajudaram a formar gerações de artistas e militantes. Peças como Eles Não Usam Black-Tie, A Mais-Valia vai acabar, seu Edgar!, Zumbi, Revolução e Feira ganharam novas leituras a partir das experiências dos territórios e dos coletivos envolvidos, reafirmando a atualidade dessas dramaturgias.



No segundo momento, as cenas dialogaram com o Teatro Jornal, uma das técnicas centrais do Teatro do Oprimido, trazendo para o palco situações diretamente relacionadas à conjuntura política e social atual. A partir de notícias, fatos recentes e vivências concretas, os grupos construíram cenas que tensionaram o presente, conectando passado e atualidade, história e urgência. Essa passagem entre épocas evidenciou como o método criado por Augusto Boal permanece vivo e capaz de se reinventar frente aos desafios contemporâneos.



Ao reunir dramaturgia clássica brasileira e técnicas do Teatro Jornal, o 4º Festival Augusto Boal mostrou que o teatro político não é apenas memória, mas prática em movimento. As cenas apresentadas reforçaram o compromisso do projeto Poéticas Políticas do Instituto Augusto Boal com um teatro popular, crítico e profundamente enraizado na realidade social.



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O IV Festival Augusto Boal fez parte do projeto “Poéticas Populares” com patrocínio da Funarte, através da emenda 972588
