Augusto Boal

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Convidamos a todos para exibição do filme “Santa Cruz”

de João Moreira Salles mais debate com o diretor, Jurandir Freire Costa e Ricardo Rezende Figueira na Escola de Cinema Darcy Ribeiro.
Uma parceria com o Instituto Augusto Boal.

Esperamos vocês às 19h30 na sala Ruy Guerra.

Evento gratuito, sujeito a lotação. Senhas distribuídas a partir de 18h30.
Endereço da Escola de Cinema: Rua da Alfândega n.5 (ao lado do CCBB)

Ontem foi o encerramento do seminário de dramaturgia latino-americana com Cecilia Boal, no Teatro Poeira.


Foram lidos pelos participantes do seminário textos de Augusto Boal, Griselda Gambaro, Gabriel Garcia Marquez, Osvaldo Drágun e Roberto Cossa.

Elenco da Cia Fábrica de Atores em leitura de Panchito Gonzalez


Tivemos as presenças de Vera Gertel, lendo Revolução na América do Sul e atores da Cia Fábrica de Atores lendo Panchito Gonzalez.

Vera Gertel em leitura de Revolução na América do Sul

Na plateia tivemos a presença de mais uma atriz do Arena: Maria Pompeu. Foi uma noite incrível!

Amanhã no ciclo de leituras no Teatro Poeira teremos:

“Griselda Gambaro, novelista e dramaturga argentina nasceu em 1928 em Buenos Aires, hoje vive em um bairro periférico na cidade de BA. Durante a ditadura militar argentina teve uma novelacensurada “Ganarse la muerte” – a justificativa fora que sua obra ia contra a instituição família e a ordem social. Conseguiu se dedicar exclusivamente ao trabalho de escritora até 1982, podendo contabilizar um vasto legado com suas obras. Em algumas palavras, podemos dizer que Griselda pratica um teatro ético, sua principal preocupação está na condição humana na forma mais geral e também na cotidianidade, esta é sua marca.

Em Puesta em Claro, peça de 1986, temos implicitamente uma caracterização da sociedade argentina. Dentro do jogo que a peça se propõe podemos identificar características marcantes da divisão de classes, dos abusos cometidos dentro das relações de poder e da submissão feminina presente em toda a peça. Clara é uma mulher de origem pobre que depois de passar por muitos abusos encontra no médico que está lhe operando os olhos uma oportunidade de mudança de vida, mas desde o primeiro momento em que chega a sua nova casa é tratada como objeto de desejo e humilhação pelo médico, seus três filhos e do avô. Neste contexto dramático, irônico e violento é tramada toda a peça até seu surpreendente desfecho final.” Texto por Amanda Neder.

 

Flavio Migliaccio e Cecilia Boal

Vera Gertel e Flavio Migliaccio com a turma do seminário de dramaturgia latino-americana

Hoje recebemos a visita no nosso seminário de Teatro Latino-americano no Teatro Poeira a presença de dois atores que participaram da montagem de Revolução na América do Sul dirigida por Boal no Teatro de Arena de São Paulo. Vera Gertel e Flávio Migliaccio compartilharam nesta manhã conosco um pouco de suas experiências vividas na época. Além disso, lemos também com os convidados duas cenas de Revolução.
Flávio nos contou, por exemplo, o quanto ele se aproximava do personagem do Zé da Silva e como isso facilitou para ele a representação realista que Boal propunha através do método Stanislavsky, que era na época uma forma de atuação totalmente nova. E que até hoje é neste tipo de representação que ele acredita – esta em que você vive o personagem com verdade.
Vera contou que fez nesta peça quatro personagens, e que trocava de roupa oito vezes durante a encenação. Contou da precariedade, falta de recursos que enfrentava o teatro de Arena e que por conta disso ela mesmo (e os outros atores), levavam os figurinos das personagens, ou seja, as roupas que tinham em casa. E na ocasião ela interpretava uma grã-fina e levou o vestido mais bonito que tinha para a personagem.


O conhecimento se espande quando junto às leituras, também debatemos e conhecemos as histórias e contextos nos quais as peças foram construídas. Agradecemos muito a presença de Vera Gertel e Flavio Migliaccio, que tanto nos ensinam sobre a história do nosso teatro, brasileiro, latino-americano.

Acompanhe neste vídeo Cecilia Boal em palestra-debate no SESC de Bom Retiro, em setembro de 2017, com a participação de Eliane Caffe e Celso Frateschi.

 

“Espiral” é uma das músicas que compunham a Primeira Feira Paulista de Opinião. Composta por Sérgio Ricardo ela abria o segundo ato do espetáculo.

Damos hoje continuidade ao nosso Dossiê de Censura da Feira Paulista de Opinião, em ocasião dos 50 anos da primeira montagem da Feira. Este dossiê consiste em um documento importantíssimo que retrata a censura que sofreu a classe teatral no ano de 1968, gerando muitos conflitos, apresentações a revelia em ato de desobediência civil contra a censura!

Compartilhamos imagens hoje da censura sobre o texto “Animália” de Guarniere.

 

Abdias Nascimento e Boal se conheceram no Vermelhinho, que ficava na Cinelândia e que não existe mais. Entre cafés e conversas, Abdias foi grande influência para o jovem Boal dos anos 50.

Abdias lutou pela defesa dos direitos das populações negras, atuando em várias áreas. Em sua autobiografia Hamlet e o Filho do Padeiro, Boal nos conta como foi sua aproximação como o teatro negro:

Foi no Vermelhinho que conheci Abdias. Antes, minha relação com os negros era de piedade: Sentia pena dos negros da Penha. Depois, passou a ser de admiração: Como era possível, cercados por tanto preconceito, que os negros sobressaíssem, fosse no que fosse? No teatro, por exemplo, personagem negro era escravo ou criado. Para o papel de Otelo, nem pensar! Pele: estigma!

Meus personagens passaram a ser menos piegas e mais revoltados. Passei a gostar de subversivos combatentes. Abaixo a melancolia!

Boal escreveu e dirigiu peças para o Teatro Experimental do Negro, teatro proposto por Abdias Nascimento, que enaltecia a cultura negra.

Em 2004, Boal escreve uma carta para Elisa (viúva de Abdias Nascimento), parabenizando Abdias pelos seus 90 anos. Nessa carta, Boal se desculpa por não poder comparecer ao aniversário do amigo e escreve que vai deixar guardada a data de 15 de Março de 2014, quando Abdias completaria 100 anos.

Infelizmente Boal acaba nos deixando antes disso, antes mesmo do que o Abdias.

 

Carta do Boal à Elisa:

“Quinta-feira, 18 de março de 2004

Querida Elisa,

Não pude voltar ao Brasil a tempo, nem para os 90 anos do Abdias nem para os meus 73, no dia seguinte.

Foi pena: Abdias é o meu mais antigo querido amigo, não nos conhecemos desde 1950 – faz mais de meio século!

Abdias me ajudou muito no meu começo em teatro: lia minhas peças e me dava conselhos, sempre úteis, não só do ponto de vista teatral mas, o que era para mim mais importante, do ponto de vista Ético e político.

Eu tinha um contato direto com a pobreza, morando na pobre Penha daquela época, mas foi o Abdias que me ensinou a compreender as causas daquela pobreza. Eu via e odiava o racismo, explícito ou disfarçado, mas foi o Abdias que me ensinou a compreender as razões e a extensão, às vezes até mesmo inconscientes, do racismo brasileiro.

Não esqueci, nem vou esquecer nunca, as conversas que tínhamos, vez por outra, tomando café de pé, em frente ao Vermelhinho, e que tanto me ajudaram na minha formação.

Abdias me ajudou muito, não só a mim mas a muito mais gente – gerações! Não só com aquilo que nos dizia com veemência – Abdias sempre foi um apaixonado! – mas principalmente com o seu exemplo de vida, de integridade, de trabalho: era impossível não ser influenciado por ele.

Foi pena que eu não tenha podido estar presente na festa do seu 90oaniversário. Mas o que me anima é que já marquei na minha agenda o dia 15 de março de 2014: ao Centenário, com toda certeza, quero ir lhe dar um fraterno e agradecido abraço.

Com todo o carinho do Augusto Boal”

Recordando, ainda, os dois mestres que marcam o pensamento, cultura e educação brasileira, e que nos deixaram no mês de maio (1997, Freire e 2009, Boal), compartilhamos este texto escrito por Augusto Boal em homenagem a Paulo Freire.
No texto Boal afirma: “Para que eu exista é preciso que Paulo Freire exista”. E hoje para nós existirmos é preciso que Augusto Boal e Paulo Freire existam!

Evento comemorativo dos 50 anos da Feira Paulista de Opinião (1968-2018):
Clube de leitura dos textos da Feira Paulista de Opinião promovido pela SBAT.
Os autores que compuseram a dramaturgia da Feira foram: Augusto Boal, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarniere, Jorge Andrade, Lauro César Muniz e Plínio Marcos.