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Prefácio da nova edição de “O Homem Proibido”, por Cecilia Thumim Boal

Nelson/ Suzana, uma bandeira?  Quem tem medo de ser mulher? 

Qual é a do Nelson? Tem algo mais intrigante?  Um homem usar como pseudônimo um nome de mulher? E nos anos 40? Susana Flag, Suzana Bandeira. Qual é a bandeira desta Suzana?  Muitas, muitas perguntas.

Mas antes de tentar responder vou me apresentar. Não sou uma especialista em Nelson Rodrigues nem uma estudiosa de literatura brasileira. Também não pretendo me tornar uma. Por isso me surpreendeu o convite da editora HarperCollins para escrever o prefácio desta publicação. Em um primeiro momento pensei em recusar usando esse argumento. Porém, algo me intrigou e provocou o meu interesse. E resolvi aceitar. 

Conheci o Nelson Rodrigues através de Boal, foi uma das primeiras pessoas das quais Boal me falou quando nos conhecemos em Buenos Aires, em 1966. Boal me falou da importância de Nelson na sua vida. Ele se referia a Nelson como tendo sido uma espécie de pai artístico, ele lia e comentava as pecas de teatro escritas pelo jovem dramaturgo de 20 anos, apresentou Boal a outras pessoas de teatro, como Abdias Nascimento. Sugeriu o seu nome ao critico teatral Sábato Magaldi, o que resultou na ida de Boal a São Paulo para assumir o teatro Arena junto com José Renato.

Conheci Nelson e conheci também Suzana Flag. Boal achava muita graça nesse outro lado de Nelson. Esse outro lado que Boal nunca procurou explicar, acho que ele estava mais interessado no Nelson dramaturgo.

Mas o que leva um homem, um dramaturgo, a escrever esses textos recheados de dramas passionais além de ajudar a pagar as contas no final do mês? Os folhetins de Suzana Flag conhecem um enorme sucesso recheados, como são, de clichês de homens e mulheres rasgados pelo ciúme e o desejo. Um desfile de personagens femininos dos mais convencionais aos mais surpreendentes circularam pelas paginas dos jornais, certamente devoradas com avidez por mocinhas e senhoras dos anos 40 (quem era o publico de Nelson?).

No texto O HOMEM PROIBIDO esses protótipos femininos nos são apresentados desde as primeiras páginas: Joyce, a menina-noiva do vestido branco. Sonia, a sua prima, ocupando o lugar da mãezinha devotada e perfeita, e as suas respectivas mães desnaturadas: D. Senhorinha, mãe de Joyce, mulher cheia de segredos (pode uma mãe ter segredos?) que cometera suicido ninguém sabe se em consequência de alguma paixão proibida e D. Flávia, irmã de D.Senhorinha, que declara ter horror de crianças (pode uma mãe ter horror de criança?).

Lembramos que nos anos 40 a questão do machismo nem chegava a ser uma questão. Era uma forma de ser homem, de afirmar uma identidade. Tudo isso a pesar (e talvez como consequência) do vigor mostrado pelos movimentos feministas.

Porém, apesar do machismo certo, acreditamos que Nelson certamente gostava das mulheres e se identificava com elas. Tomava partido Mas era viável para um homem de aquela época se manifestar abertamente? Certamente não.  Usando o disfarce de Suzana Flag afirmar que as mulheres tinham desejo, que gostavam de sexo se tornava possível. Um escândalo para aquela sociedade hipócrita e dissimulada. Suzana/Nelson, Nelson/Suzana afirmam que o sexo não é uma prerrogativa dos homens, é também um direito das mulheres. Seria um exagero definir Nelson Rodrigues como um feminista? Essa pergunta tem pertinência? 

Em todo caso Nelson não tenta simplificar o que é complexo. 

O estilo do folhetim não é realista, podemos até dizer que é cafona, um catálogo de frases feitas, recheado de lugares comuns E ao mesmo tempo cheio de encanto e magia, criando um universo completamente irreal. Joyce calca chinelinhos de arminio. Sonia e Paulo vivem uma felicidade sem defeito. Subitamente uma fatalidade se abate sobre todos eles provocando uma tragédia que muda irremediavelmente o destino dos protagonistas.

Suspense, culpa, remorsos, traição, todos esses elementos do mais puro melodrama despertam a vontade de continuar lendo, continuar sonhando com esses amores extraordinários tão diferentes e alheios ao quotidiano das mulheres (e dos homens, por que não?) que compram o jornal. 

E não vou me alongar mais, a palavra com Suzana Bandeira. Vamos com ela penetrar no universo do melodrama, do folhetim, conhecer com ela esse tesouro de amor, delicia e sofrimento. E descobrir com ela porque O HOMEM PROIBIDO é um homem proibido. 

Já está disponível Teatro Situado. Revista de artes cênicas com olhos latino-americanos. N°7. Edição bilíngüe espanhol/português. Este número contém textos da Argentina, Brasil, Colombia, Cuba, Panamá e Venezuela sobre o tema Encontros e Festivais.

Coordenadoras: Julieta Grinspan | Mariana Mayor | Mariana Szretter | Design gráfico | Rocío Giorgi .

Imagem de capa:
Foto de Giovanny Galvez Companhia Trans Express. “Muñecas gigantes”, na Praça Bolívar de Manizales.

Pronunciamento proferido por Augusto Boal na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro no da 4 de junho de 1993.

Compartilhamos hoje a quarta e última edição do jornal do Mandato Político Teatral de Augusto Boal – Boca no Trombone: “Quero mais”. Já no terceiro e último ano de mandato Boal compartilha tudo que já foi feito e o desejo de se reeleger para continuar o trabalho. Dezenas de grupos foram criados, leis foram aprovadas, emendas à Lei Orgânica do Município e muito mais.

Compartilhamos hoje a terceira edição do Jornal do Mandato Político Teatral de Augusto Boal “Boca no Trombone”. De Março/Abril de 1996 com o título: “Teatro Legislativo: já existe” a edição traz notícias de ações do Mandato. Entre elas as ações de Boal enquanto Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara; os núcleos (19) de Teatro Legislativo em atuação; eventos; homenagens e leis aprovadas.

Já está disponível Teatro Situado. Revista de artes cênicas com olhos latino-americanos. N°6. Edição bilíngüe espanhol/português. Este número contém textos da Argentina, Bolivia, Brasil, Cuba, México, Peru, Porto Rico, sobre o tema Teatros e Militâncias.

Coordenadoras: Julieta Grinspan | Mariana Mayor | Mariana Szretter | Design gráfico | Lorena Divano e Lucas Arias. Imagem de capa: Marea Roja. Fotografia de Claudia Córdova Zignago, novembro de 2020.

Ya está disponible Teatro Situado. Revista de Artes Escénicas con ojos latinoamericanos. N°6. Edición bilingüe español/portugués. En este número hay artículos de Argentina, Bolivia, Brasil, Cuba, México, Peru, Puerto Rico, sobre el tema Teatros y Militancias. La descarga de la revista es libre y gratuita.
Coordinadoras: Julieta Grinspan | Mariana Mayor | Mariana Szretter | Diseño gráfico | Lorena Divano y Lucas Arias. Imagen de tapa: Marea Roja. Fotografía de Claudia Córdova Zignago, noviembre de 2020.

Pronunciamento de Augusto Boal em ocasião de Jair Bolsonaro ter defendido, em 1993, que a passada ditadura militar no Brasil retornasse e o Estadão ter justificado essa defesa. Boal entendia a importância de falas como estas não passarem desapercebidas e se posicionava diante disso. Esse pronunciamento é um importante documento histórico para o Brasil que em 2018 elegeu Jair Bolsonaro como Presidente da República.

Augusto Boal, exilado de seu país, viveu um período em Portugal pouco depois de lá ter ocorrido a Revolução dos Cravos: de 25 de abril de 1974.

Em Portugal, Augusto Boal escreveu críticas teatrais para a Revista Opinião. Hoje, em 25 de abril, compartilhamos este artigo em que Boal faz uma reflexão sobre o Teatro após a Revolução, a partir da peça “O Conde dos Bonecreiros e outros condes”.

Em 21 de abril de 1993 ocorreu no Brasil um Plebiscito em que a população deveria escolher monarquia ou república e presidencialismo ou parlamentarismo. Trazendo a complexidade que o tema exigia, sem se ausentar da posição Boal fez um pronunciamento em que afirmou: “Sou presidencialista sem convicção: sou contra esse plebiscito que, seja qual for o seu resultado, como é formulado, não vai plebiscitar nada, ninguém. A cédula que pergunta qual o sistema que desejamos tem tanto valor enérgico como teria se perguntassem “vocês querem isto ou aquilo?”, sem explicar o que seria aquilo ou isto”. O Mandato do Boal diante desse cenário organizou um material para explicar o que se tratava essa votação.

Por fim, em seu discurso, Boal concluiu “Presidencialismo, mas com honestidade, sem fisiologismo”. (Citações tiradas do pronunciamento feito por Augusto Boal na Câmara Municipal do Rio de Janeiro no dia 10 de março de 1993).

Uma das formas que o Mandato Político Teatral de Augusto Boal utilizou para democratizar o acesso à política, foi a criação de um jornal informativo sobre as suas ações na Câmara dos Vereadores. O “Boca no Trombone” foi publicado pela primeira vez em maio/junho de 1995. Essa primeira edição trazia uma análise da conjuntura política que se vivia no Brasil e noticiava a Posse de Augusto Boal na Presidência da Comissão dos Direitos Humanos na Câmara do Rio de Janeiro. Compartilhamos hoje a capa desta primeira publicação: “Brasil de Sinal Trocado”.