Nos dias 25 e 26 de outubro, a Escola de Teatro Popular recebeu a diretora, pesquisadora e educadora Mariana Sapienza para uma oficina dedicada às práticas do teatro político e aos processos de criação coletiva.
Durante dois dias de trabalho intensivo, estudantes e monitores da ETP participaram de exercícios, discussões e experimentações cênicas que atravessaram referências do teatro épico de Bertolt Brecht, do Teatro do Oprimido e das tradições de teatro popular latino-americano.
A oficina foi conduzida a partir de práticas corporais, jogos coletivos e momentos de reflexão, buscando construir uma experiência em que o pensamento crítico surgisse do encontro entre os participantes. Mais do que transmitir técnicas, o processo propôs a criação de um espaço de escuta, debate e elaboração coletiva de cenas e ideias.
Mariana Sapienza é doutoranda em Literatura Alemã pela USP, com pesquisa sobre a construção de uma poética autoral para um teatro crítico no contexto do exílio de Brecht. É também fundadora e diretora do Andamio Colectivo Escénico, grupo que atua entre Equador, Colômbia e Brasil, desenvolvendo projetos de criação coletiva e formação teatral em diálogo com espaços comunitários e universitários.
Ao longo da oficina, Mariana compartilhou experiências do Andamio e de sua trajetória em grupos de teatro de São Paulo, destacando a importância do trabalho coletivo, da pesquisa continuada e do diálogo entre arte e realidade social.
A atividade integrou o ciclo formativo da ETP e contribuiu para o aprofundamento das discussões sobre teatro político que atravessam o trabalho da escola, especialmente no ano em que se celebram os 50 anos do livro Teatro do Oprimido, de Augusto Boal.
Mais do que uma oficina pontual, o encontro reafirmou o compromisso da Escola de Teatro Popular com processos pedagógicos críticos, coletivos e enraizados nas lutas e contradições do presente.
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O projeto “Escola de Teatro Popular” conta com patrocínio do Ministério da Cultura, através da emenda 958743
No sábado, 18 de outubro, o Núcleo Centro da Escola de Teatro Popular (ETP) recebeu Julian Boal para a oficina “Narração de ontem, Atuação de hoje”, voltada ao desenvolvimento dos instrumentos cênicos e à troca coletiva de experiências.
Durante o encontro, o grupo mergulhou no universo de Bertolt Brecht, trabalhando a peça “A Mãe”, texto que provoca reflexões sobre organização popular, consciência de classe e transformação social. A leitura coletiva de um dos trechos da obra deu força e sentido ao momento:
“Não precisamos só do remendo Precisamos o casaco inteiro. Não precisamos de pedaços de pão Precisamos de pão verdadeiro. Não precisamos só do emprego Toda a fábrica precisamos. E mais o carvão E mais as minas O povo no poder. É disso que precisamos. Que têm vocês A nos dar?”
A leitura foi compartilhada em roda, num exercício de voz e escuta que reforçou a potência do teatro como ferramenta de luta. A partir desse diálogo entre texto e jogos teatrais, os participantes refletiram sobre o papel da arte na construção de uma sociedade mais justa.
O sábado também foi especial pela entrega das novas camisetas do projeto Poéticas Populares, que estampam o lema “Arte para lutar, teatro popular.” Mais do que um uniforme, a camiseta simboliza o compromisso com a arte engajada e com o fortalecimento da cultura popular como instrumento de transformação social.
________________________ O núcleo Centro faz parte do projeto “Poéticas Populares” com patrocínio da Funarte, através da emenda 972588
O Núcleo de São Gonçalo da Escola de Teatro Popular recebeu, nesta semana, a visita de Julian Boal, que acompanhou o ensaio da cena sobre violência escolar desenvolvida pelas turmas. O encontro marcou o início de um importante ciclo artístico-pedagógico.
Na sexta-feira, demos início ao ciclo de 12 apresentações internas, pensado para contemplar todas as turmas do núcleo. A cena, construída a partir das vivências e reflexões de estudantes e educadores, problematiza a violência escolar utilizando a Arte Marcial Cênica como recurso de linguagem.
Cada apresentação é seguida de um momento de desdobramento coletivo: após refletirem sobre as violências testemunhadas, exercidas e sofridas no cotidiano escolar, os estudantes são convidados a criar a sua própria “Árvore dos Afetos”, um exercício simbólico de ressignificação e fortalecimento dos vínculos.
A iniciativa dialoga com o Setembro Amarelo, campanha nacional de valorização da vida, e pretende ser um espaço de escuta, expressão e cuidado dentro das escolas. A partir de outubro, o ciclo seguirá para outros territórios escolares da região, ampliando o alcance da proposta.
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O Núcleo São Gonçalo faz parte do projeto “Escola de Teatro Popular” com patrocínio do Ministério da Cultura, através da emenda 958743
Arte pra lutar, teatro popular!
Foi assim, defendendo a alegria e contribuindo para a organização da raiva contra o sistema capitalista, que participamos do 31º Grito das excluídas e excluídos.
No último 7 de setembro,a intervenção do Projeto Poéticas Populares ocupou as ruas do centro do Rio com uma ação de teatro popular construída a partir da arte como ferramenta de diálogo, consciência e mobilização.
Com o lema “A vida em primeiro lugar. Cuidar da casa comum e da democracia é luta de todo dia!”, o ato colocou mais de 5 mil pessoas nas ruas do centro do Rio. Marchando da esquina da Rua Uruguaiana com Av. Presidente Vargas até à Praça Mauá, as palavras de ordem ressaltaram a luta contra a escala 6 por 1, pelo direito à vida digna, contra o genocídio do povo palestino e punição para Bolsonaro e todos os golpistas.
Na cena, participantes do o Projeto Poéticas Populares apresentaram como o cardume de peixes quando desunido vira refeição de tubarão. E, mais trágico ainda, quando aparecem os pretensos heróis que acabam cedendo aos tubarões, em nome de uma impossível conciliação, pautas muito caras à luta e à vida dos trabalhadores. Assista abaixo à cena:
Arte pra defender a alegria e organizar a revolta!
A intervenção, construída com linguagem acessível e elementos do teatro popular, buscou dialogar diretamente com o público da rua, valorizando a arte como espaço de encontro, escuta e partilha de ideias. A recepção foi calorosa, com pessoas acompanhando, registrando e interagindo com a apresentação ao longo do trajeto.
Mais do que um espetáculo, a ação reforçou o compromisso do Projeto Poéticas Populares com a ocupação criativa dos espaços públicos, levando cultura para onde as pessoas estão e reafirmando o teatro como instrumento de expressão coletiva.
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O projeto “Escola de Teatro Popular” conta com patrocínio do Ministério da Cultura, através da emenda 958743
No último sábado, o Núcleo Centro do Projeto Poéticas Populares promoveu uma oficina de coro e atuação de rua, conduzida pelo monitor Pedro Barroso, reunindo participantes em um exercício coletivo de voz, corpo e presença.
A atividade teve como objetivo “ser uma preparação para a intervenção que a núcleo vai fazer de maneira coletiva no ato do grito dos excluídos”, afirma o monitor.
A oficina integrou um processo de mobilização que coloca a arte como ferramenta de resistência e de construção coletiva, em diálogo com a prática do teatro político. Mais do que um momento de aprendizado técnico, foi um espaço de encontro, partilha e criação em torno de uma pauta comum: dar visibilidade às vozes historicamente silenciadas no país.
O 31º Grito dos Excluídos acontece no dia 7 de setembro, ocupando as ruas com arte, luta e esperança.
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Na última quinta, 21 de agosto, o grupo Peixe de Cardume, da Escola de Teatro Popular (ETP), ocupou as ruas do Centro do Rio com uma apresentação especial na Carioca, durante o Dia D do Plebiscito Popular — uma grande mobilização nacional organizada por movimentos sociais e populares em defesa dos direitos do povo brasileiro.
O plebiscito contou com pontos de votação espalhados por todo a cidade: na Carioca, em São Gonçalo, na Pavuna, na UFF e na UFRJ. A população foi convidada a votar e dialogar sobre temas centrais para o país, como o fim da escala 6×1, a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e a taxação dos super-ricos.
Durante a ação, a Peixe de Cardume apresentou a cena “o Anjo”, um trecho adaptado da peça “Revolução na América do Sul” escrita por Augusto Boal, encenada em 1960. A cena, que dialoga com as condições de trabalho e com o cotidiano das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, criou momentos de interação direta com quem passava pelo local — trabalhadoras, ambulantes, estudantes e transeuntes que se reconheceram nas situações encenadas.
A performance integrou a programação do Dia D do Plebiscito Popular, reforçando o papel do teatro popular como ferramenta de diálogo, transformação e mobilização social.
A mobilização segue firme em defesa de um Brasil mais justo!
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O projeto “Escola de Teatro Popular” contra com patrocínio do Ministério da Cultura, através da emenda 958743
Como o debate feminista pode ser feito a partir do teatro? Como o teatro pode ser criado a partir do feminismo? Essas foram algumas das perguntas que o Núcleo Feminista da ETP tentou responder com a cena “Saara vende a Sara e a Mara” apresentada no III Festival Augusto Boal, que aconteceu no último sábado, 19 de julho no Projeto Habitacional Mãe Bernadete, no centro do Rio de Janeiro.
A apresentação é fruto dos debates sobre a dupla e tripla jornada de trabalho que o núcleo vem construindo. Confira a apresentação no vídeo abaixo:
__________________________ O Núcleo Feminista faz parte do projeto “Escola de Teatro Popular” com patrocínio do Ministério da Cultura, através da emenda 958743
No último sábado, 19 de julho, o Projeto Habitacional Mãe Bernadete foi transformado em um grande palco de criação popular. O 3º Festival Augusto Boal, realizado pela pelo Instituto Augusto Boal em parceria com a Escola de Teatro Popular (ETP), reuniu mais de cem pessoas ao longo do dia para celebrar a força do teatro como ferramenta de transformação social.
Confira a apresentação do núcleo SEPE Niterói, durante o festival, no vídeo abaixo:
Em cena, os desafios da educação pública, com foco nas contradições dentro e fora da sala de aula. A apresentação trouxe múltiplos olhares sobre desigualdade, ancestralidade, violência de gênero, periferia e esperança — sempre com o desejo de transformar a cena em ação.
____________ O núcleo Sepe Niterói faz parte do projeto “Poéticas Populares” com patrocínio da Funarte, através da emenda 972588
No próximo sábado, 19 de julho, a Escola de Teatro Popular (ETP) convida todas e todos para um dia inteiro de celebração coletiva, encontro de linguagens e ocupação cultural. A terceira edição do Festival Augusto Boal será realizada no Projeto Habitacional Mãe Bernadete Pacífico, localizado na Rua da Constituição, 38 – Centro do Rio de Janeiro. A entrada é gratuita.
O Mãe Bernadete é muito mais do que um espaço físico — é um território de luta, acolhimento e construção de alternativas de vida digna frente à ausência de políticas públicas. Realizar o festival neste local é, para a ETP, um gesto político e simbólico: ocupar com arte, música, comida e afeto é também afirmar o direito à cidade, ao encontro e à cultura feita com o povo e para o povo.
O Festival nasce da prática cotidiana da ETP, integrando diferentes núcleos formativos e articulando movimentos populares e parcerias internacionais. Nesta edição, o festival conta com a participação especial de estudantes da Montclair State University (EUA), parceria que atravessa fronteiras e amplia a troca de experiências, afetos e linguagens. Também estará presente o deputado federal Tarcísio Motta, reconhecido por sua atuação em defesa da cultura e dos direitos sociais, reforçando o compromisso político do festival com a transformação por meio da arte.
Reunião da Internúcleos da ETP realizada neste sábado (12) para finalizar os preparativos do 3º Festival Augusto Boal
A terceira edição terá uma programação intensa a partir das 14h, com abertura e apresentações de cena dos núcleos Feminista, Maré, SEPE Centro e Niterói. Também fazem parte da programação as cenas construídas pelos grupos Formação de Multiplicadores da ETP, a companhia Peixe de Cardume e pelos estudantes da Montclair State University.
Ao longo da tarde, haverá também saudações de movimentos sociais e parceiros de luta: Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (SEPE), Movimento Unido dos Camelôs (MUCA) e União por Moradia Popular do Rio de Janeiro (UMP). Finalizaremos o dia às 17h30 com o animado Arraiá do Mãe Bernadete, com muita música, comidas típicas e celebração popular.
O 3º Festival Augusto Boal reafirma o teatro como prática de liberdade e construção coletiva. Cada cena apresentada, cada gesto de acolhimento, cada decoração feita com as próprias mãos, compõe uma dramaturgia viva de resistência popular.
Venha, participe e traga mais gente. O Festival é nosso. A cultura vive na coletividade.
Na última sexta-feira (11/07), o Arraiá da Educação foi palco da estreia do Núcleo SEPE Niterói, que apresentou sua primeira cena no evento, marcando com força e sensibilidade sua entrada nos palcos da luta política e poética. A apresentação integrou a programação do festejo organizado pela Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense (ADUFF), pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEPE) Niterói e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFF, em um encontro que celebrou a educação pública com cultura e consciência coletiva.
A cena retratou os desafios enfrentados cotidianamente por profissionais da educação: do entusiasmo que marca o início da carreira ao desgaste gerado pelas contradições e ataques constantes à escola pública. Com emoção e potência, o grupo mostrou que a trajetória de professores, professoras e servidores da educação é atravessada por luta, resistência e esperança. À medida que a peça avança, o núcleo revela as contradições presentes nessa jornada, que pode assumir diferentes formas e caminhos ao longo do tempo.
Este núcleo de Niterói, em parceria com o SEPE, é o primeiro núcleo da cidade. Os encontros acontecem toda quinta-feira, às 18h, na sede do sindicato (Rua Luiz Leopoldo Fernandes Pinheiro, 481 – Salas 801/802 – Centro, Niterói).
A iniciativa investe na criação de núcleos de teatro político vinculados a movimentos sociais e sindicais, fortalecendo o uso da arte como ferramenta de formação crítica, mobilização e transformação.
A estreia é também um chamado: que mais trabalhadores da educação se aproximem, criem, expressem; porque a escola também é lugar de cena, de fala e de reinvenção do mundo.
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