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Em sua monografia de graduação defendida em 2006 no Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília, a autora, a partir de sua experiência no grupo “O avesso da máscara”, primeiro grupo de Teatro do Oprimido do DF fundado como consequência dos trabalhos da Brigada Nacional Patativa do Assaré do, MST, traça aproximações e distanciamentos entre os conhecimentos da Antropologia, Literatura e Teoria do Teatro. Intitulada “Peça pra falar, palco pra ocupar: encontros entre o MST e o teatro”, a forma da monografia aproxima-se a de uma peça teatral, ou, mais exatamente, de uma peça de teatro épico. Com esse objetivo, a autora divide o trabalho em três atos, cada um dedicando-se especificamente à relação com uma das áreas de conhecimento acima abordadas. Desse conjunto, destaca-se o terceiro ato no qual ela analisa três peças de dois grupos da Brigada Nacional de Cultura: as peças “Trapulha” e “Contraponto” da Brigada de Agitação e Propaganda Semeadores, do MST/DF; e a peça “Posseiros e Fazendeiros” do grupo Filhos da Mãe… Terra, do MST/SP.
Acesse a monografia na íntegra aqui.
Texto publicado no livro Margem esquerda – ensaios marxistas publicado por Boitempo Editorial em 2004.
Acesse o texto aqui
Hoje, 16 de março de 2017, será inaugurada a exposição Meus caros amigos – Augusto Boal – cartas do exílio no SESC Vila Mariana, em São Paulo.
A colaboradora do Correio IMS Lyza Brasil comenta sobre as correspondências que podem ser encontradas na exposição:
Augusto Boal – cartas à mãe
Iná Camargo Costa, pesquisadora teatral, escreve este texto a pedido de Julian Boal. Agradecemos a gentileza de ter nos permitido a publicação neste blog.
AGITPROP E TEATRO DO OPRIMIDO
Iná Camargo Costa[1]
Introdução
Como arma na moderna luta de classes, o agitprop já tem uma história mais do que centenária segundo o recorte aqui adotado, pois teve início quando as organizações dos trabalhadores europeus – socialistas, anarquistas, trabalhistas – e depois latinoamericanos incluíram as atividades culturais em suas pautas de intervenção, sendo o teatro, por suas características de atividade pública, a que tem maior número de referências em todo o mundo. A partir do final dos anos 1960 e início dos anos 1970, Augusto Boal começou a escrever um dos capítulos latinoamericanos do agitprop e dedicou a vida inteira a desenvolver este trabalho.
O Teatro do Oprimido tem todo o direito de ser considerado um capítulo latinoamericano desta história pelas condições em que foi criado e depois teve sua elaboração teórica formulada por Augusto Boal: no exílio que começou pela Argentina e onde seu livro de mesmo nome foi publicado pela primeira vez, as circunstâncias em que se desenvolveu a proposta – principalmente do teatro fórum – foram dadas pela situação das lutas sociais e políticas latinoamericanas, como ele mesmo relata em diferentes ocasiões.
Para entender a família do agitprop que o Teatro do Oprimido integra, é preciso recapitular pelo menos o momento em que foram criadas, experimentadas ou desenvolvidas as suas formas mais conhecidas, bem como a própria palavra, que corresponde à fusão entre agitação e propaganda. Estamos obviamente nos referindo à Revolução de Outubro de 1917. A exemplo do que faziam todos os exércitos na Primeira Guerra mundial, o Comandante do Exército Vermelho, Leon Trotsky, convocou artistas e profissionais de todas as áreas para cuidar da vida cultural dos soldados e os que se dedicaram ao teatro foram responsáveis pela invenção ou reinvenção das formas teatrais de agitprop mais conhecidas até hoje.
Para refrescar a memória, vale a pena ao menos enumerar algumas das formas do teatro de agitprop que ajudam a entender o capítulo escrito por Augusto Boal.
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Nesta quinta feira, 16 de março, às 16h no Largo Glênio Peres, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz realiza a última apresentação (em Porto Alegre) de “Caliban – A Tempestade de Augusto Boal” antes da estreia do espetáculo em Campina Grande na Paraíba!
Vem pra rua!!!
Que bom!

Artigo no Globo em 08 de março de 2017
Vou domingo a Porto Alegre ver a estreia! O Clima tempo diz que vai chover mas quem é que se importa? A final nada mais coerente em se tratando de uma tempestade alem do mais estamos acostumados a chuvas e trovoadas e com os Atuadores da Tribu teremos certamente boas tempestades dignas do peixe que o Boal foi.

Peixes desenho de Augusto Boal
Vivam os peixes, as tempestades e os Atuadores!
Matéria publicada no jornal Correio da Manhã em 29 de Maio de 1965.

Texto de Iná Camargo Costa publicado na edição 7 – Homenagem a Augusto Boal – da Revista Vintém, projeto editorial da Companhia do Latão, publicada em 31 de julho de 2oo9.
LEMBRANÇAS DE BOAL
Iná Camargo Costa
- Noticiário político-cultural
Os jovens que tinham 15, 16 anos, como eu em 1968, e se interessavam por teatro, sabiam de Augusto Boal e do teatro de Arena de São Paulo por diferentes meios e de maneira indireta, isto é, nós sabíamos sem saber muita coisa. É o que se chama informação de que somos abastecidos pela indústria cultural. Basta lembrar que uma das músicas brasileiras de maior sucesso em 1965 foi Carcará, gravação de Maria Bethânia. Só vim a saber muito tempo depois que ela integrava o Show Opinião, e que Augusto Boal participou da produção deste espetáculo e assegurou a pessoa jurídica necessária à sua estréia através do Teatro de Arena, pois o Teatro Opinião só foi criado depois do espetáculo.
Para dar mais um exemplo, a música Upa, neguinho, gravada por Elis Regina, e proveniente do espetáculo Arena conta Zumbi, também tocou muito no rádio e no ano de 1965 era regularmente interpretada por ela em seu programa de televisão, O fino da bossa. Por essa via, a série Arena conta… e os nomes de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, sobre os quais era possível saber alguma coisa no noticiário dos jornais, passaram a incendiar a nossa imaginação.
Não é preciso multiplicar os exemplos: já está claro que os jovens que moravam nos confins do Estado de São Paulo – como eu, primeiro em Chavantes e depois de 1967 em Botucatu – passaram a acompanhar com o máximo interesse, através de revistas, jornais, programas de rádio e de televisão, toda a produção cultural daquela geração, que se tornou referência para muitos de nós. Em primeiro lugar os cantores e intérpretes e depois os compositores, como Edu Lobo e Guarnieri, autores de Memórias de Marta Saré, defendida no IV Festival da TV Record, em 1968, por Marília Medalha, também atriz do Arena (ver post scriptum, abaixo).
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Em 2006 Boal deu uma entrevista para a publicação Artes e Letras: Entrevistas da EDUSP.
Segue trechos do ele disse:
por Walnice Nogueira Galvão Teoria e Debate, abril de 2006
“Uma das maiores expressões do teatro brasileiro nos conta um pouco de sua história, parte já publicada em Hamlet e o Filho do Padeiro: Memórias Imaginadas”.
Como você descobriu o teatro?
Quando eu era criança, não havia telenovela, mas o correio trazia, todo fim de semana, fascículos de romances, O Conde de Monte Cristo, A Ré Misteriosa. Minha mãe comprava, lia e dava para a gente ler. No domingo, toda a família se reunia em casa para almoçar, um almoço “ajantarado”. Vinham 25, trinta pessoas. Irmãos e primos, nos juntávamos e dramatizávamos os fascículos. Minha estreia no teatro foi aos nove anos. Mas minha estreia dirigindo foi em Nova York.
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