Augusto Boal

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Em Setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal.
Em 1970 após o AI-5 (Ato Institucional numero 5) o Teatro de Arena viaja para fora do Brasil em turnê para Nova York, México, Peru e Argentina com as peças “Arena conta Zumbi”e “Arena conta Bolívar”.

Acervo Instituto Algusto Boal

Augusto Boal, Cecilia Thumim, Fabian Boal, Fernando Peixoto e duas pessoas não identificadas.


A foto encontra-se também em nosso acervo online: http://www.acervoaugustoboal.com.br/
 

Em Setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal. Hoje falaremos de Víctor Zavala Cataño, que revolucionou a cultura peruana dos anos de 1960 e 1970.
Victor está ligado à história do movimento de Teatro Popular no Peru e é o criador do Teatro Camponês no país, tornando o homem do campo o protagonista de seu teatro.
Em 1969 publicou o livro “Teatro Campesino”, que contém sete obras teatrais: o Galo, a Galinha, A Junta, O Colar, O Turno, O Arpista e O Carregador.  As peças incluem monólogos, pantomimas, dança e música, todas a partir de manifestações populares peruanas. Os cartazes e a atuação também se tornam instrumentos ativos de drama, permitindo que o espectador se distancie.
O Teatro campesino é publicado em 1969 como um reflexo da segunda grande onda do movimento camponês do século XX nos Andes do Peru. 500 mil camponeses se movimentaram em defesa de suas terras na zona de Junin, Carro de Pasco e Ayacucho, principalmente. O grupo de teatro popular de Teatro camponês se iniciou em 1970 em choque com a política do governo militar e sua chamada reforma agraria. Após seu surgimento, muitos outros grupos de teatro surgiram com o tema do teatro camponês. Sua repercussão dentro dos movimentos camponeses foi de grande abrangência.
O principal interesse da obra de Zavala é a participação do público no desenvolvimento cultural, social e político do país e, para isso, aplica as expressões desse mesmo público aos meios artísticos. Em cada etapa do Teatro Campesino, é feito um fato, uma denúncia e uma crítica sobre a condição social do camponês peruano. A permanência, a figura e o perfil estético social de Zavala Cataño foram sempre os mesmos, com base na problemática do campo.
Zavala foi detido como preso politico em junho de 1991 e condenado a 25 anos de prisão, deixou o cárcere em junho de 2016 aos 84 anos.
Você pode ter acesso a mais material sobre o dramaturgo com uma entrevista exclusiva no blog: http://teatrocampesino.blogspot.com.br/2011/04/libertad-para-el-fundador-del-teatro.html

el gallo

Gravura retirada do livro Teatro Campesino

Em Setembro o Instituto Augusto Boal dedicará suas publicações a difusão do Teatro latino-americano, apresentando diversos grupos e suas conexões com o trabalho de Augusto Boal.
Iniciamos com Rosa Luisa Márquez e o teatro em Porto Rico!
Rosa Luisa Márquez é artista de teatro e pedagoga porto riquenha. Começou sua carreira na Universidade de Porto Rico em 1978. Oferece cursos de teatro em escolas, prisões, centros de reabilitação, espaços para mulheres, centros comunitários, entre outros. Publicou os livros “Brincos y Saltos: el juego como disciplina teatral” e “Historias para ser contadas, montaje de Rosa Luisa Márquez”.
Rosa Luisa trabalhou em conjunto com Augusto Boal e o Teatro do Oprimido em diversas ocasiões, principalmente na chamada Fábrica de Teatro Popular em 1986, projeto de Darcy Ribeiro de utilizar o teatro para discutir cidadania, direito, igualdade, entre tantas outras coisas nos CIEPs.
Fotos de Fabian Boal (1986)


 
 

No início da década de 1990, Augusto Boal foi vereador do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Em fotos, campanha para reeleição em 1996, com explicação sobre o Teatro Legislativo.
O mês de Agosto será destinado a divulgação do trabalho de Boal como vereador e o Teatro Legislativo. #Boalvereador

Em 2011 realizamos um evento para comemorar os 80 anos de Boal. Fernanda Montenegro leu o capítulo do livro “Hamlet e o filho do padeiro”

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=6Woir2bfG-o&w=560&h=315]

No início da década de 1990, Augusto Boal foi vereador do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Teatro do Oprimido na Câmara, por que não?
Registro durante fala do Vereador Augusto Boal na Câmara dos Vereadores.
O mês de Agosto será destinado a divulgação do trabalho de Boal como vereador e o Teatro Legislativo. #Boalvereador


 

No início da década de 1990, Augusto Boal foi vereador do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Augusto Boal transformou a política tornando seus assessores os membros do Centro de Teatro do Oprimido e utilizando o teatro como método para a formulação de leis.
campanha7
O mês de Agosto será destinado a divulgação do trabalho de Boal como vereador e o Teatro Legislativo. #Boalvereador

A partir de 18 de agosto a peça Murro em Ponta de Faca, escrita por Augusto Boal em 1974 e dirigida por Paulo José, estará em turnê por 11 cidades do Paraná.
Acompanhe a agenda pelo site: http://murroempontadefaca.redelivre.org.br/
Cecilia Boal fala sobre o espetáculo:

Resolvi aceitar o convite de Nena Inoue, convite urgente, porque ele vai me permitir contar uma historia. Muito se pode dizer sobre o exílio, sobre o sofrimento que causa ter que abandonar seu Pais, sua língua, seus amigos, tudo aquilo que nos dá identidade, para se tornar um estrangeiro. Poderia falar da dor de ser um estrangeiro, um estrangeiro de verdade, no quotidiano, sem nenhuma consideração filosófica

Coisas bem tristes! Por isso achei mais bonito, mais alegre e divertido contar como foi que o meu exílio começou. Conheci Augusto Boal em Buenos Aires em 1966. Eu era uma jovem atriz representando uma peça de teatro num teatro portenho enorme e sombrio. Um dia uma noticia sacudiu o teatro e as suas vetustas estruturas. Tinha chegado um diretor do Brasil. Naquela época o Brasil para mim ficava tão longe como a Austrália. Mas o diretor era charmoso, muito charmoso! E vinha antecedido de uma fama retumbante, era um revolucionário, um militante politico e teatral, um homem perseguido. E eis que este diretor aparece um pouco mais tarde no meu camarim para me convidar a participar do seu próximo espetáculo. Uma semana depois estávamos vivendo juntos. Vim com Boal para São Paulo e o acompanhei pelo mundo. Nunca mais nos separamos, ele foi o meu país. Muitos anos mais tarde, muitos mesmo, já morando de volta no Brasil, um dia me dei conta de uma coisa muito curiosa: a peça que eu representava no momento em que Boal apareceu no meu camarim era uma adaptação de um conto de Scholem Aleijem. É a historia de uma moça que se apaixona por um homem de circo e vai embora com ele. O conto se chama Destinos Errantes. E, de certa forma, o Boal foi sempre assim, um homem de teatro traçando um destino glorioso e mambembe, colado numa mala que guardava sempre pronta embaixo da cama. Porém, tantos desenraizamentos, tantos desterros, não abalaram nunca a sua força, a sua alegria, a sua imensa confiança nos seres humanos, na sua capacidade de transformação e na sua solidariedade O olhar do Boal sobre as coisas do mundo sempre foi um olhar confiante e generoso, alegre e divertido poderia falar horas sobre ele, escrever horas. Mas vou ficar por aqui.

Assistam à peça, ela fala mais e melhor do que eu. Bom espetáculo!

No início da década de 1990, Augusto Boal foi vereador do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT). No final de seu mandato em 1996, Boal publica o livro “Aqui ninguém é burro!”, compilação de seus pronunciamentos na Câmara.
Aqui ninguém é burro (capa)
O mês de Agosto será destinado a divulgação do trabalho de Boal como vereador e o Teatro Legislativo. #Boalvereador
Prefácio do livro “Aqui ninguém é burro” escrito em maio de 1966 e publicado pela Editora Revan:

Fiquei indignado! Tinha certeza de que alguma coisa grave estava acontecendo. Contra toda razão, a maioria dos vereadores tinha acabado de votar uma lei isentando companhias privadas do pagamento de impostos devidos. Não era justo. Não era honesto!
Em geral, sou educado e trato a todos com cortesia. Essa tarde, foi exceção; estava enfurecido. Pedi a palavra e, na tribuna, rugi: “Vossas excelências que votaram essa indignidade são todos ladrões ou são burros!!”
Voltei para minha bancada, envergonhado. Perguntei aos meus companheiros mais experientes o que devia fazer para remediar. Pedir desculpas? Aguentar firme? Deixar para lá?
Logo depois, alguns vereadores foram ao microfone protestar. Um deles, muito tranquilo, disse: “Sua Excelência, o nobre vereador Augusto Boal, exagerou. Ele disse que aqueles que votaram a favor da isenção são todos ladrões ou são burros. Sua Excelência sabe muito bem que, aqui, ninguém é burro.”
Foi um lapso. O vereador em questão é tido por todos como honesto, correto. Teria sido, então, fina ironia? Fosse o que fosse, foi boa sugestão para o título deste livro.
Livro feito de desabafos, assim chamados “pronunciamentos”. Escolhi aqueles que transcendiam o fato ou feito que os provocou. São todos sobre o Rio de Janeiro, sua gente, seus dirigentes. Procurei limpá-los de todas as formalidades camerísticas, todos “minhas senhoras e meus senhores, nobre isso ou aquilo”.
Falando da Câmara, espero estar falando do Rio de Janeiro. Do Rio, do Brasil. Do Brasil, desta engraçada condição humana.

Quando Nena me convidou para dirigir uma montagem de Murro em Ponta de Faca eu estava sem tempo nenhum. Mas Ficou aquela coceira mexendo no meu bestunto. Afinal, era uma forma de homenagear Augusto Pinto Boal, em artes Augusto Boal, e para nós, que havíamos trabalhado e aprendido tanto com ele, simplesmente Boal.

Boal trouxe para o Teatro de Arena o Método, forma abreviada de chamar o método que Constantin Stanislavski foi desenvolvendo em sua vida na arte.

Boal trouxe método ao nosso trabalho teatral, muitas vezes criativo, mas sem uma reflexão sobre o sentido da arte. Boal trouxe uma relação dialética entre paixão e ideologia, entre sentimento e razão, entre liberdade e responsabilidade. Num grupo teatral tão criativo como o Arena (tinha Guarnieri, tinha Juca de Oliveira, tinha Vianinha, tinha Chico de Assis, tinha Fauzi Arap, Flavio Migliaccio, Nelson Xavier, Milton Gonçalves, Ary Toledo, tinha tanta gente criativa!), alguém tinha de amarrar o guiso no gato, sistematizar as experiências, os laboratórios, o processo que leva um texto escrito a se transformar em teatro. Esse alguém era o Boal. Nós todos éramos adúlteros, tínhamos paixões pelo cinema, a tv nos seduzia, o Arena era um

entra-e-sai de recursos artísticos. Somente um sempre ficou segurando as pontas e as barras mais pesadas: ele, Boal. Em 1978 eu havia dirigido a primeira montagem de Murro em Ponta de Faca, sua peça mais pessoal, escrita durante seus anos de exílio. Uma peça emocionante, especialmente para nós, seus filhos/irmãos, que pudemos ter em mãos um documento precioso, mais do que uma peça teatral, um testemunho vivo de um exilado, mudando mais de país do que de sapatos, depois de prisão e

torturas no DOPS, OBAN, em São Paulo. A montagem de 78, que tinha produção de Othon Bastos, pretendia chamar a atenção sobre Boal, reforçando o movimento pró anistia. Infelizmente, quando Boal voltou ao Brasil a peça já havia saído de cartaz.

Passados mais de trinta anos, volto a vivenciar, como diz Boal, “as andanças de muita gente maravilhosa (cada qual no seu feitio) que eu andei encontrando, e  desencontrando, em tantos aeroportos, estações, gares, no sol ou na neve”.  Este espetáculo é um tributo a Boal, que nos deixou no ano passado.

Mas a equipe, elenco, recursos artísticos e técnicos, montada pela Nena, deixaria Boal orgulhoso, como deixaram este que vos escreve com a certeza que teatro vale a pena, o teatro nos engrandece, nos faz melhores. Não cito nomes para não cometer injustiças, mas considerem-se todos beijados e abraçados.

Vai começar a arrumação e desarrumação das malas no palco. E Boal, mais vivo do que nunca, em nós e em suas obras, diz que isso que estarão vendo, meus caros amigos, é a vida que nós estamos vivendo. É bom teatro mas não é teatro: é verdade líquida e certa. Me lembra Walt Withman, na epígrafe de seu Leaves of Grass:

CUIDADO,

QUEM TOCA NESTE LIVRO

TOCA NUM HOMEM

Paulo José

2010
Acesse o site da peça e acompanhe as apresentações que serão feitas em 11 cidades do Paraná em Agosto! No canal do Youtube Paulo José fala do processo de direção: https://goo.gl/2Ko9rz