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RECEBEMOS ONTEM ESTE PRESENTE DE NATAL QUE CONVIDAMOS VOCES TODOS A LER COM ATENÇÃO
LEI Nº 13.560, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2017.
Institui o Dia Nacional do Teatro do Oprimido.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o Fica instituído o Dia Nacional do Teatro do Oprimido a ser comemorado, anualmente, no dia 16 de março, em todo o território nacional, em homenagem à data de nascimento de seu criador, o teatrólogo Augusto Boal.
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 21 de dezembro de 2017; 196o da Independência e 129o da República.
MICHEL TEMER
Provavelmente algum deputado ou deputada do Pt encaminhou este projeto de lei para o Congresso e esqueceu de retira lo depois do golpe contra o seu partido
Entendemos que isso possa ter acontecido e pensamos que quem encaminhou este projeto o fez com toda boa vontade
Porém não podemos deixar de nos posicionar diante deste fato que não nos honra, em absoluto , nem enaltece o nome de Augusto Boal
Se Boal estivesse ainda vivo estaría escrevendo algo muito parecido
Como podemos aceitar ” homenagens” de num governo golpista que mostra claramente a que veio, vendendo e entregando o Brasil para as multinacionais e deixando o povo mais oprimido e miserável ainda?
Estamos indignados diante de tamanha indecencia e nos perguntamos perplexos se Michel Temer 1ro: lê o que assina e 2 : se ele por ventura sabe quem é Augusto Boal
CECILIA T BOAL

O Show Opinião foi criado por integrantes do Centro Popular de Cultura da UNE, produzido pelo Teatro de Arena e dirigido por Augusto Boal no Rio de Janeiro. Contava com Nara Leão, Zé Ketti e João do Valle no elenco. O registro do show deu origem ao álbum “Show Opinião”, lançado em 1965 e disponível em nosso SoundCloud.
Hoje Flávio Império estaria completando 82 anos.
Boal comenta em “Hamlet, O Filho do Padeiro” que Flávio começou a escrever cenários com ele, no Teatro Arena.
“Maria Teresa Vargas, nossa amiga, conhecia um jovem arquiteto, Flávio Império, que nunca tinha feito cenário mas tinha vasto talento pra pintar e construir com as mãos. Ao contrário de se espantar com a exiguidade, achou desafio. Foi me fazendo perguntas e, quando me dei conta, eu estava falando, ele desenhando.”
No Arena ele criou diversas cenografias de peças dirigidas por Boal como: O Melhor Juíz, O Rei; Um Bonde Chamado Desejo; Arena Conta Zumbi; Arena Conta Tiradentes.
Riva Nimitz que hoje faria 81 anos iniciou sua carreira no Teatro de Arena nos anos 50.
Fez parte do elenco das peças Ratos e Homens (1956), Marido Magro, Mulher Chata (1957), Juno e o Pavão (1957), Eles Não Usam Black-Tie (1958), Chapetuba Futebol Clube (1959), Gente como a Gente (1959), A Farsa da Esposa Perfeita (1959), Revolução na América do Sul (1960), O Testamento do Cangaceiro (1961) e A Mandrágora (1962). Algumas delas dirigidas por Boal.

Riva Nimitz e Geraldo Ferraz em cena em Marido Magro, Mulher Chata. Disponível em: http://www.acervoaugustoboal.com.br/
O Show Opinião teve sua estreia dia 11 de dezembro de 1964 com Nara Leão, João do Valle e Zé Ketti no elenco. Semanas após a estreia, Nara Leão se afastou do espetáculo por problemas de saúde e indicou para lhe substituir uma cantora que havia conhecido na Bahia tempos antes: Maria Bethânia, que veio para o Rio de Janeiro na companhia de seu irmão, Caetano Veloso. Foi o início da carreira da cantora baiana, famosa por sua consagrada interpretação da música “Carcará”, composta por João do Vale e José Cândido.
Em “Hamlet e o filho do padeiro”, Augusto Boal relata seu primeiro contato com Bethânia:
Bethânia, figura impressionante: menina magra convicta, sólida voz que voava, enchendo a cena, descendo escadas, fugindo pelas janelas, transbordando ruas, avenidas, praias. Cedo, a voz de Bethânia transbordaria por toda Copacabana, Rio de Janeiro, mundo afora.

Capa do programa de Opinião, disponível em: http://www.acervoaugustoboal.com.br/
No início da década de 1990, Augusto Boal é eleito vereador do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou seu mandato na Câmara de Vereadores entre 1993 e 1996. Ao final, publicou um livro chamado “Aqui ninguém burro”, com alguns de seus pronunciamentos-desabafos. O Instituto Augusto Boal convidou algumas pessoas para lerem trechos do livro. Teuda Bara, integrante do Grupo Galpão, lê trecho do capítulo “As leis do mercado e a lei do leão”.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=f22h9Tk2mBg&w=560&h=315]
Chico de Assis chegou ao Teatro de Arena de São Paulo em 1958. Trabalhou como ator e fez parte da fundação do Seminário de Dramaturgia criado pelo grupo.
Sua peça de estreia no grupo foi “A mulher do outro”. Em seguida, participou de “Eles não usam Black-tie”, “Chapetuba Futebol Clube” e “Gente como a gente”. Foi assistente de direção de José Renato em “Revolução na América do Sul”.
Em 1961 escreveu “O testamento do cangaceiro”, dirigido por Augusto Boal e vetado pela Comissão Municipal de Cultura de Santos (SP) durante o II Festival Brasileiro de Teatro na cidade. Em seguida, escreve “A aventura de Ripió Lacraia” e “Farsa com cangaceiro truco e padre”, que formam uma trilogia sobre literatura popular de cordel.
Hoje, Chico de Assis completaria 84 anos.

Chico de Assis e Sadi Cabral em “A mulher do outro” (1958)
Milton Gonçalves ingressou no Teatro de Arena de São Paulo em 1956 com a peça “Ratos e homens”, dirigida por Augusto Boal. O ator foi fundamental no início do grupo e na formação do Seminário de Dramaturgia.
Com o Teatro de Arena, atuou também nas peças”Eles não usam Black-Tie” (1957), “Chapetuba Futebol Clube” (1959), “Gente como a gente” (1959), “Revolução na América do Sul” (1960), “Pintado de Alegre” (1961), “O Testamento do Cangaceiro” (1961), “A Mandrágora” (1962) e “Arena Conta Zumbi” (1963).
Com 60 anos de carreira, comemoramos hoje os 84 anos de Milton Gonçalves e sua imensa contribuição para o teatro brasileiro.

Milton Gonçalves e Flávio Migliaccio em cena de “Revolução na América do Sul” (1960)
O Show Opinião surgiu após o Golpe de Estado de 1964. Com o aumento da repressão da ditadura militar no Brasil, o grupo do Teatro de Arena de São Paulo se separou e seus integrantes foram morar em outros estados.
Augusto Boal passou um tempo na cidade de Poços de Caldas (MG) e, em seguida, foi para o Rio de Janeiro. Nessa época, se uniu a membros do CPC da UNE (Centro Popular de Cultura da União Nacional de Estudantes) para criar um espetáculo como resposta à ditadura.
A resistência contra o governo militar se organizava na cidade e um dos espaços de efervescência político-cultural era o restaurante Zicartola, mantido por Cartola e sua mulher, Dona Zica. O local era o ponto de encontro de sambistas de destaque, dentre eles Nara Leão, Zé Ketti e João do Vale. Daí surgiu o Show Opinião, no qual cantores, cantando, contariam suas histórias:
Nosso show-verdade era diálogo: João lia a carta que escreveu ao pai, ao fugir de casa, menino; lia para Nara, lágrimas rolando, lágrimas que vestiam suas palavras. Nara respondia com ternura, olho no olho, carinhosa: “Carcará. Pega, mata e come”. (Augusto Boal em sua autobiografia, “Hamlet e o filho do padeiro”)

O Teatro Experimental do Negro (TEN) surgiu em 1944 e se propunha a trabalhar pela valorização social do negro no Brasil através da educação, da cultura e da arte. Abdias Nascimento, fundador do grupo, publicou este artigo relatando a importância do TEN no movimento negro e na história do teatro brasileiro.
Em 1957 o grupo estreou a peça “O mulato” do dramaturgo norte-americano Langson Hudges. Geraldo Campos de Oliveira foi um dos fundadores do TEN e falou um pouco sobre a peça e o movimento em reportagem: