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Direção : Paulo José
Produção: Nena Inoue
Realização: Espaço Cênico
Abaixo, capa da nova edição dos Jogos para atores e não atores lançada pela editora grega Esofia.

Recife, Fortaleza, Salvador…
Murro em Ponta de Faca segue em turnê pelo Nordeste, com direção de Paulo José e produção de Nena Inoue.
Fonte: Jornal O POVO – Fortaleza Ceara 27.06.2013
Murro em ponta de faca discute a vida de seis personagens exilados pela ditadura militar brasileira. O texto é de Augusto Boal
Logo no início de Murro em Ponta de Faca, os personagens vão remoendo suas perdas: o músico Paulo (Gabriel Gorosito) lamenta os intrumentos que deixou no Brasil; a esposa dele, Maria (Laura Haddad), recebe a notícia da morte de um amigo; a operária Foguinho (Nena Inoue) chora a distância dos parentes que deixou na América do Sul.
Além deles, outros três – Barra (Abilio Ramos), marido de Foguinho; o Doutor (Sidy Correa) e a esposa, Marga (Erica Migon e Rachel Rizzo) – desfiam as faltas sentidas no estrangeiro. De extratos sociais e vivências distintas, os seis personagens criados pelo dramaturgo carioca Augusto Boal (1931-2009) têm em comum a marca do desterro e do exílio. É de perda e distância a matéria dessa peça.
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Gilberto, que tem um grupo de pesquisa com jovens atores, manifestou o desejo de montar a peça do Boal “Revolução na América do Sul “. Ficou combinado que seria feita uma leitura no “Encontro Latino-americano de Teatro” que será realizado na UFRJ no mês de outubro.
Gilberto comentou : “Que história é essa de dizer que Boal é datado? Tudo é datado! Tudo é datado porque tem data, não é?
Eu respondi: “Por que não fazemos um encontro latino-americano de teatro de retaguarda? Já que não somos vanguarda, vamos fazer um encontro de teatro de retaguarda.”
Gilberto achou a idéia muito engraçada e começamos a brincar : “Olha quantos autores datados poderíamos colocar no nosso repertório! Shakespeare é super datado!
– Molière está datado também!
– Brecht também então, datadérrimo!
– Ésquilo, uma super velharia!”
Me ocorreu a idéia de criar uma companhia teatral que poderia se chamar : Os Dinosauros Felizes. Veja como fica legal: “Os Dinosauros Felizes apresentam : O Festival Teatral de Autores Datados!”
E Gilberto acrescentou : “Podemos botar como publicidade : consuma já, estão quase perdendo a validade! ”
Fica o convite feito então: mês de outubro na Ufrj
Quem sabe o datado, não volta a ficar na moda?
Essa peça faz parte do espetáculo Feira Paulista de Opinião que estreou em São Paulo em 1968. A peça foi encenada através de um ato de desobediência civil, pois tinha sido inteiramente censurada. Foi necessário uma liminar de um juiz da 7a vara da Justiça Federal para viabilizar a apresentação do espetáculo.
A lua muito pequena, que o próprio Boal qualificava de colagem, foi construída à partir de textos selecionados no Diário do Che na Bolívia.
Os atores estarão em cena durante todo o transcurso da peça –
São narradores de uma história conhecida – isto é, de uma história mal conhecida. Os atores se comovem ao conta-la e ao conhece – la melhor.
O ator que desempenha o Comandante deve ser sempre o mesmo; os demais atores revezam – se em todos os papéis, quando necessário.
Coringa –
Eu devo começar dizendo que chegamos a conclusão de que a morte do comandante é dolorosamente certa.
Já muitas vezes foi anunciada sua morte, nunca chegamos a nos preocupar.
Desta vez, também , no começo, não nos preocupamos, mesmo quando começaram a chegar as primeiras fotos . Depois, noticias , desencontradas: uma cicatriz na mão esquerda e nenhum de nos se lembrava de ter visto qual quer cicatriz na mão do comandante. Depois, o tecido pulmonar, as impressões digitais, tudo, tudo podia ter sido forjado, tudo podia ser mentira. Menos a última prova: o seu diário e , nele, o seu pensamento. Uma fotografia pode ser retocada; até mesmo o rosto de um homem pode ser desfigurado; porém o seu estilo não pode nunca ser imitado.
A notícia da sua morte é dolorosamente certa.
A entrevista a seguir foi realizada em 2007 por Dodi Leal e Clóvis Lima, na ocasião alunos do prof. Sérgio de Carvalho no curso de Artes Cênicas da USP. O assunto que motivou o encontro com Boal no CTO-Rio foi levantamento de informações sobre o espetáculo Arena Conta Tiradentes. Felizmente nesta ocasião Boal compartilhou várias reflexões sobre a Estética do Oprimido. Sob a orientação do Sérgio e com prévia autorização do Boal, a conversa foi transcrita e originalmente publicada na íntegra em 2009 na revista eletrônica teatral Questão de Crítica com o título Do Teatro de Arena à estética do Oprimido – Conversa com Augusto Boal.
Trechos da conversa comporão o documentário Espect-ator (realizado pela produtora audiovisual DOArouche) que investiga como iniciativas de TO contribuem para a formação e transformação do espectador teatral e das comunidades. Ainda na fase de montagem, o longa contém cenas e depoimentos dos participantes da V Feira Paulista de Teatro do Oprimido que aconteceu de 30 de maio a 2 de junho de 2013 no Guarujá-SP. O documentário tem previsão de lançamento e circulação para o ano de 2013.
Para mais informações sobre o documentário, acesse o site da produtora audiovisual DOArouche : http://www.doarouche.com/
Para mais informações da Feira que reúne o movimento de coletivos e praticantes de TO em São Paulo, acesse : http://feirapaulistato.blogspot.com.br/
Autor: Douglas Leal
Em lembrança viva ao teatrólogo Augusto Boal, falecido no dia 02 de maio de 2009, publica-se a entrevista realizada no Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro em 15 de outubro de 2007 por Douglas Tavares Borges Leal e Clóvis de Lima Gomes sob orientação do professor Sérgio de Carvalho da Universidade de São Paulo e diretor da Cia. do Latão. A entrevista, sem cortes de edição, aborda em especial a fase dos musicais do Teatro de Arena de São Paulo passando por questões da dramaturgia, da crítica, do sistema curinga e do tema do herói e da empatia. Trata também das novas pesquisas do Boal, sobretudo da Estética do Oprimido, projeto teórico e programa político no qual se concentrou nos últimos anos e que teve como propósito o estímulo ao pensamento estético humano por meio do acesso à produção artística. A entrevista contribui para a compreensão de elementos comuns e críticos da trajetória entre o Teatro de Arena e o Teatro do Oprimido e ajuda a refletir sobre as características do teatro brasileiro cuja versão engajada de Boal ganhou proporções mundiais, sendo praticado por milhares de atores, diretores e educadores de todos os continentes. Em 2008, Augusto Boal foi pré-indicado ao Prêmio Nobel da Paz e em 2009 foi nomeado Embaixador Mundial do Teatro pela UNESCO.
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Bertolt Brecht tem muito a ver com a minha vida teatral, e isso por muitas razões e de muitas maneiras. Curiosidade: comecei minha carreira como diretor profissional no mesmo ano, e quase no mesmo mês, em que ele morreu, em 1956.
Sua primeira peça que dirigi foi “A Exceção e a Regra”, creio que em 1960, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista. O elenco era composto exclusivamente de operários, e nossas platéias também. Trata-se de uma peça simples que analisa as relações entre o patrão e o empregado, e a alienação de um ser humano a outro.
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Dulce Pandolfi é pernambucana. Foi presa no Rio de Janeiro quando ela tinha 21 anos
Segue o seu depoimento:
Por acreditar que no Brasil de hoje a busca pelo “direito à verdade e à memória” é condição essencial para nos libertarmos de um passado que não podemos esquecer, aceitei o convite da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro para fazer hoje, aqui, esse depoimento.
Mesmo sem nenhum mandato, quero falar em nome dos presos, torturados, assassinados e desaparecidos pela ditadura militar que vigorou no nosso país entre 1964 e 1985.
Como historiadora, sei que a memória não diz respeito apenas ao passado. Ela é presente e é futuro. Os testemunhos que estão sendo dados à Comissão da Verdade, embora sobre o passado, dizem respeito ao presente e apontam para o futuro, por isto mesmo espero que ajudem a construir um Brasil mais justo e solidário. Sei também que da memória – sempre seletiva – , fazem parte o silêncio e o esquecimento. Por isso, nessas minhas fortes lembranças, permeadas por ruídos, odores, cores e dores, estarão presentes ausências e esquecimentos.
Nascida e criada em Recife, fiz parte de uma geração que sonhou e lutou muito. Queríamos romper com as tradições, acabar com miséria e com as injustiças sociais, reformar a universidade, derrubar a ditadura, enfim, queríamos transformar o Brasil e o mundo.
Pensar al teatro porteño desde las formas de producción. Un breve recorrido a un camino de fuerte contenido estético y político
Carlos Fos
La avalancha inmigratoria operada en las últimas décadas del siglo XIX y continuada en
el siguiente, cambió el rostro del país, no sólo en su estructura social sino en las
construcciones culturales. No podemos referirnos a este proceso como a un todo
homogéneo, pues llegan al país oleadas de individuos de procedencia europea, la mayor
parte de los cuales sufrían las consecuencias de la inestabilidad política y económica de
sus lugare de origen. Esa marea de costumbres, idiomas, dialectos, artes, buscaba un
espacio para un nuevo comienzo, sin los sinsabores de la tierra que debían dejar. El
proceso de adaptación fue gradual, pues la mayoría no hallaba la posibilidad de
prosperar laborando en latifundios, (gran parte de los inmigrantes eran campesinos o
artesanos y no se les dieron la mínima infraestructura para desarrollar su tarea con
dignidad) retornando a Buenos Aires o a otras ciudades puerto para ganarse el sustento
diario. También arribaron militantes políticos, perseguidos en sus países, genuinos
responsables del nacimiento de los sindicatos modernos en Argentina. Anarquistas,
socialistas, mujeres y hombres con una mochila cultural de peso, se unían a legiones de
obreros iletrados y a una minoría de extranjeros preexistente, con peso en la comunidad
local.
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