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Programação do I Encontro Latino-Americano de Teatro, a realizar-se de 14 a 18 de outubro, na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Clique na imagem para ampliá-la:


Matéria de Maria Eugênia de Menezes publicada no jornal O Estado de S. Paulo:
Estados Unidos e Coreia. Egito e Canadá. França e África do Sul. Mas também Índia, Noruega, Argentina. Todos esses países estiveram na rota de Augusto Boal: o mais internacional entre os nossos diretores, o mais afamado homem de teatro que o Brasil já produziu.
Com reedição a ser lançada no próximo dia 19, pela Cosac Naify, o volume Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas tem muito a ver com o reconhecimento alcançado por esse estudioso mundo afora. “É um livro muito importante porque fecha um período e abre outro”, considera Julián Boal, filho do encenador – morto em 2009 – e autor do posfácio que acompanha a nova edição.
Esses dois períodos apreendidos por Boal no livro estão fortemente vinculados aos acontecimentos que convulsionavam o País nos anos 1970. Escrito durante o exílio do autor, a obra faz, primeiramente, um balanço de suas atividades no Teatro de Arena, as tentativas de politização da cena, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri e Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. “O que encontramos no livro é ele entendendo como suas hipóteses falharam. E que seria necessário reformulá-las para dar conta daquela nova situação”, observa Julián.
Não bastava dizer aos operários e camponeses o que eles “deveriam” fazer. O caminho para um teatro verdadeiramente engajado não estava apenas em um discurso que pregasse o que deveria ser feito. Mas em uma nova maneira de estar em cena. Uma revolução que ia além do conteúdo. Considerava o nascimento de uma “forma revolucionária” igualmente importante.
Teatro do Oprimido é apenas o primeiro dos títulos de Boal que voltarão a estar disponíveis nas livrarias. Ao seu relançamento, se seguirá a publicação de suas obras mais importantes: títulos teóricos, como Jogos para Atores e não-Atores (1988), suas incontáveis incursões pela dramaturgia, além de livros de viés autobiográfico, entre eles Milagre no Brasil (1977) e Hamlet e o Filho do Padeiro (2000).
Escrito nos anos 1970, ‘Teatro do Oprimido’ ainda capta atual realidade política
Augusto Boal passou boa parte de sua vida lutando contra o teatro. Contra aquele teatro que conheceu, “que dizia àqueles que assistiam quem eles eram, quais eram os seus problemas e quais as soluções a serem dadas”, comenta o filho do diretor, Julián Boal.
Em Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas, o estudioso lançava-se à investigação de um novo meio de se relacionar com o público. Propunha subverter a lógica tradicional – intérpretes no palco, espectadores na plateia. Se as relações entre as pessoas não mudassem, nada poderia ser, de fato, transformado.
O livro, que é agora relançado, traça uma constante analogia entre artes cênicas e vida política. A mesma relação hierárquica que existia na sala de espetáculos se espraiava para fora dela: na maneira como dividimos o mundo entre as pessoas que sabem e as que não sabem, entre aquelas que têm o direito de agir e as que não têm. “A atualidade de suas ideias está precisamente aí: nessa dualidade que ainda pauta o nosso sistema parlamentar, um sistema de democracia em que o cidadão não tem o direito de se expressar. Ou, pior, em que sua expressão não é levada em conta”, pondera Julián.
Eram anos difíceis aqueles em que Boal se lançou a escrever essa obra. Desde 1956, havia se estabelecido em São Paulo. Após estudar direção e dramaturgia na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, começara a exercitar um novo estilo de realismo. Também viria a nacionalizar a dramaturgia, criando textos como Revolução na América do Sul. E a forjar outras feições para os musicais quando trouxe à cena Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes.
A ditadura veio frustrar todo um virtuoso ciclo de produção. Ao ser obrigado a deixar o País, em 1971, o artista viu-se impedido de praticar o seu ofício. A solução? Migrar para o campo das ideias. “O Teatro do Oprimido tem a potência de um impulso interrompido. Curiosamente, o fato de não poder fazer teatro não enfraqueceu o seu pensamento. Fez com que toda sua energia se concentrasse na reflexão”, diz Julián.
Foi por meio da palavra que esse artista dominou o mundo. Se seus títulos estavam fora de catálogo no Brasil e começam agora a ser reeditados, o mesmo não ocorreu em nações como os Estados Unidos e a Inglaterra, onde estão constantemente disponíveis. “Ele está sempre sendo publicado e republicado lá fora. Estou assinando novos contratos o tempo todo”, comenta Cecília Boal, psicanalista e viúva do estudioso.
Um de nossos mais importantes críticos teatrais, Sábato Magaldi já diagnosticava nos anos 1990 a necessidade de reter Augusto Boal no Brasil. “Sua potencialidade criativa não tem sido devidamente aproveitada entre nós. Enquanto o resto do mundo, dos Estados Unidos ao Japão, do Canadá a Austrália, valoriza a sua teoria e a sua prática.”
Para Cecília, o problema é ainda mais amplo, não sendo possível circunscrevê-lo nem a Boal nem ao Brasil. “Isso não acontece só aqui”, considera. “Esse teatro mais ligado à pesquisa está abandonado de uma maneira geral – à exceção de alguns poucos lugares, que dão valor à erudição e à universidade.”
Aparentemente, porém, a situação está prestes a melhorar. Uma recente polêmica envolveu o acervo de Augusto Boal. Por sua relevância, o conjunto de 20 mil documentos e 2 mil fotografias chegou a ser disputado pela Universidade de Nova York. Após protestos da classe artística, a Universidade Federal do Rio de Janeiro acabou assumindo a guarda da coleção: o processo de tratamento das obras já começou e o CCBB prepara uma grande exposição desse conjunto.
A mostra deve abrir em agosto de 2014, no Rio. Em seguida, segue para as outras unidades do centro cultural, em Brasília, Belo Horizonte e São Paulo. “Mas também temos planos para que essa exposição chegue a outros lugares, uma opção seria levá-la para algumas universidades”, diz Cecília.
Muito mudou desde que Boal lançou o seu Teatro do Oprimido. Havia, naquele momento, uma possibilidade de revolução popular que não mais se coloca no horizonte. Substituíram-se governos militarizados por outra forma de controle social: o autoritarismo do discurso único.
“Se no tempo das ditaduras tinha um sentido você falar em participação
popular, hoje numa época de Facebook e Big Brother isso não se dá da mesma maneira”, considera Julián, que se dedica a divulgar a técnica do pai por meio de cursos e oficinas.
Bertolt Brecht foi uma das maiores influências de Boal. E, diferenças à parte, talvez seja coerente olhar para seus legados de maneira análoga: ambos perderam parte de seu sentido com o passar do tempo. Mas também se viram revestidos de novos significados e usos quando confrontados com novas realidades.

Navio francês com escravos para venda no Rio de Janeiro
Relato extraído do blog Autores e Livros:
O professor foi assaltado, às 20h30, quando voltava para casa. Dois rapazotes o abordaram. O mais velho sacou uma pistola Falcon, pôs contra sua cabeça e disse: “Passa tudo se não quiser levar bala.” O professor entregou tudo, sem qualquer resistência e com uma calma inexplicável. Suas mãos e pernas nem tremiam. “Vai agora por aqui, se não mato você.” O professor foi, obediente como de costume. Não é homem de sobressaltos.
Comunicou o ocorrido ao policial da viatura estacionada não muito longe do assalto. O policial anotou as informações, mas recomendou que fosse à delegacia prestar queixa.
Na delegacia, o policial de plantão tomou seus dados e fez perguntas. A certa altura, comentou: “Eu faço perguntas específicas, você me responde, mas depois começa a acrescentar elementos que não são específicos da minha pergunta. É professor de quê?” E o professor: “De literatura. Policial, as narrativas precisam ser criadas. Talvez interessem mais a mim do que ao senhor. É uma pena. Bom seria que interessassem aos dois.”
Em seguida, o policial entregou ao professor álbuns de reconhecimento, com centenas de fotografias de assaltantes da região. O professor conseguia ver apenas os olhos dos assaltantes: tristes, de uma tristeza profunda; angustiados, desamparados, intranquilos. Depois o professor reviu as fotos, observando apenas seus rostos. Quase todos eram negros e magros, com muitas cicatrizes na pele. Alguns ele reconheceu da rua – afinal, vivia há 12 anos naquele bairro. Nesses casos, lia atentamente seus nomes. Desse modo seriam um pouco menos estranhos.
Até que o professor parou de folhear e contemplou a foto de um homem que parecia um índio apache, com cabelos lisos e longos, um lenço de algodão na cabeça, um olhar vibrante. Mais do que assaltante, era um Deus do Texas. Única exceção dos álbuns.
“Reconheceu alguém?”, perguntou o policial. “Reconheci todos. São todos humanos. É o único reconhecimento possível. Muito obrigado e bom trabalho.”
O professor entrou no táxi e pensou em Homero: a necessidade de contar a história dos vencidos. A raiva contra os assaltantes havia passado. A questão agora era outra.
Artigo da Folha de São Paulo, 14/08/2013
GUSTAVO FIORATTI
DE SÃO PAULO
A Sociedade Brasileira de Autores (Sbat) voltou a representar o dramaturgo Augusto Boal, fato notável na história de uma instituição que, nas últimas duas décadas, perdeu prestígio, assistiu a uma evasão de nomes e acumulou uma dívida milionária.
Só em impostos para a Federação, estima-se que a Sbat deva mais de R$ 8 milhões. Os encargos trabalhistas somam outro estimado R$ 1,5 milhão.
O retorno de Boal à Sbat foi anunciado no início da semana, em reunião convocada pelo diretor Aderbal Freire-Filho, membro do conselho da sociedade e líder de um movimento que quer promover o resgate da instituição.
(mais…)

Reproduzimos o texto “O que é a Cultura?”, apresentado por Augusto Boal em mesa-redonda durante o Fórum Cultural Mundial, no dia 24 de novembro de 2006:
Palavras são meios de transporte, como o trem, a bicicleta e o avião; a palavra Cultura é um enorme caminhão que suporta qualquer carga. É necessário defini-la, para que saibamos do que estamos falando, quando dela queremos falar.
Cultura é o que estamos fazemos aqui, agora, neste instante, discutindo o que é a Cultura. Cultura é este microfone, esta mesa, esta sala. Nada disto existia – é fruto da mão humana, executora de nossos pensamentos e desejos.
Este encontro não é apenas “um” exemplo do que seja a Cultura: é o máximo exemplo, pois Cultura é a reflexão do ser humano sobre si mesmo e sobre o mundo, e sobre o que faz neste mundo. É o feito e o fazer, é o como fazer o que se faz. É a criação de uma realidade não prevista nos desígnios da Natureza. Um Real objetivo, como a construção de casas e pontes, feitas de pedra; e um Real subjetivo, como a Moral, feita de valores.
A Cultura possibilita e engendra a Arte, que é o seu estado supremo e soberano.
Uma lenda antiga e distante – e tudo que é distante e antigo nos dá a impressão de verdadeiro – diz que a Arte tornou-se necessária para completar a incoerente e desorganizada criação divina.
Deus, segundo a lenda, por mais perfeito, veloz e talentoso que tenha sido, tinha também seus limites, e não foi capaz de completar a Obra que havia planejado, no tempo que havia calculado. Calculou mal: seis dias mostrou-se curto prazo, mesmo para o Todo Poderoso, pois que o Poder, ao existir, fixa seus limites; se não os tivesse, seria também meu, nosso e vosso, seríamos todos divinos: o poder seria substância universal e não predicado do poderoso. Até o Poder tem fronteiras.
Deus, cansado – toda força, na exaustão, encontra seus limites – desconsolado e triste, buscou merecido descanso no domingo, mas não sem antes apelar para os Artistas que logo vieram em seu socorro para reorganizar o mundo que ele mal havia – e havia mal – criado.
Os sons divinos andavam por aí, espalhados, notas, claves e bemóis – sonoridades ao vento, enlouquecidas na imensidão vazia… Vieram compositores para lhes dar estrutura e razão: eis a sonata, o samba e a canção. A matéria prima era divina; mas a forma tinha os contornos de Villa-Lobos, Cartola, Dolores Durán e Nelson Cavaquinho, para não citar nenhum presente.
As cores, espalhadas e sem rumo, andavam às turras com o traço, buscando perspectivas na vida e no espaço – vieram os artistas plásticos e pintaram quadros, esculpiram estátuas, grafitaram paredes, e nos fizeram entender o que Deus quis fazer, mas não teve tempo; quis dizer, mas não disse.
As palavras, esses seres estranhos que não existem – são riscos na areia que as ondas do mar apagam; sons, que a leve brisa dissolve com suas carícias -, as palavras eram vazias e tortas, desengonçadas – até que chegaram os poetas para domesticá-las, dando-lhes sentido e destino.
Só os seres humanos são capazes de criar Arte e Cultura -que é a coerência com a qual o Artista vê o mundo, corrige e completa a obra de Deus que, assim, se revela e resplandece. Vivam os artistas! Mas coerência nem sempre é virtude, como nem sempre a Moral é Ética.
A Cultura, que faz existir o imaginado, que é invenção do novo, do necessário e útil – e do belo, tão útil como necessário -, pode-se extasiar diante de si mesma e mergulhar nas águas de Narciso. O Artista, inebriado, pode pensar-se Deus e parir a arte pela arte. Pode, ao contrário, congelar seus caminhos, e se estiolar na repetição.
A Cultura, no fio da navalha, cria, destrói e recria. Quando, querendo instaurar o novo, fixamos nossos caminhos, a cultura se cristaliza na Técnica, que nos permite inventar e apressa o invento, mas que pode nos obrigar a segui-la, e servi-la – ajuda ou atrapalha. Quando fixamos nosso comportamento na sociedade, a Cultura se cristaliza na Moral, tão necessária, mas que pode ser odiosa. Tudo, neste mundo em trânsito, transita.
Cultura, traduzida em Arte, deve ser criação permanente, revolucionária, conquista do novo, nunca estratificação do conquistado. Pode-se transformar em Indústria, pode-se inserir na Economia, sim, mas desde que o criador seja o Artista, sempre o Artista, e não o produtor, que deve trabalhar com aquilo que foi criado, e não criar limites à criação. O artista cria o que não existia; o produtor, ao que existe, abre caminhos.
Se o produtor serve ao Mercado, deve ter claro que Mercado quer a repetição estéril, do já feito e conhecido, sem sobressaltos; o Artista, quer inovar. O Mercado, eclético, mercadeja arte e sabão em pó, porque ambos são necessários e vendáveis, mas não é justo confundir artista e saponáceo.
É verdade que nós, artistas, queremos vender nossos discos, livros e quadros, queremos a casa cheia, mas não ao preço da renúncia daquilo que nos explica e justifica: a Arte, que será sempre revolucionária, ou nada será.
Repito, sempre, que não temos nada contra o comércio, como tal. Admiro mesmo os comerciantes que fazem do seu comércio uma arte, mas tenho pena dos artistas que fazem, da sua Arte, um comércio.
Cultura, traduzida em Moral, fixa a Tradição. A Tradição, em si, não é boa nem má, pois é criada por sociedades que não são eternas. Devemos cultivar as tradições humanísticas, mas, com energia, rejeitar as cruéis e desumanas.
No mês passado, eu estive na Índia com todo o meu Centro carioca, presidindo a fundação da Federação Indiana de Teatro do Oprimido, na mesma semana em que foi promulgada uma lei autorizando o Estado a tentar dissuadir os pais de forçarem o casamento de seus filhos crianças. A Lei dizia que, se esses casamentos já tivessem sido realizados, seriam válidos por respeito às tradições familiares. Casar crianças e obrigá-las à convivência, é crime, e nenhuma tradição pode justificar um crime!
Na mesma semana, foi promulgada, na mesma Índia, outra lei, a que protege as mulheres contra a violência doméstica. Está em vigor. Lei radical, exemplar, que condena e pune, não apenas a violência física e sexual, mas até mesmo o palavrão atirado contra a esposa ou namorada, a tia, a sogra, a filha ou a vizinha. Peço aos legisladores, porventura presentes, que levem em conta a sugestão indiana: seja a mulher quem for, nem palavrão, nem com uma flor.
Exemplos de tradições culturais odiosas não nos faltam e, entre tantas, podemos citar os flagelos que são as guerras coloniais e as imperialistas, disfarçadas ou não; a pena de morte e a escravidão; o Cassino da Bolsa de Valores que faz, do Mercado, um Deus, e o cinema de Hollywood, Deus do Mercado; os genocídios étnicos, passados e atuais; o mundo em chamas.
Contra essas tradições sempre se lutou. A Revolução Francesa, que representou um bem para a Humanidade, não respeitou as tradições da realeza; nós, se tivéssemos mantido nossas tradições monárquicas, hoje não seríamos República.
Cruéis tradições devem ser combatidas com vigor por serem contrárias à humanização do ser humano. Mas devemos recorrer às nossas boas e sadias tradições quando somos invadidos pela mídia globalizada, arte enlatada, notícias manipuladas, ódio racial, pensamento único.
Isto é a Cultura: acabar com as tradições malsãs criando novos caminhos, inventar uma Ética. Se, no Brasil, já foi tradição a fome no Norte e Nordeste, Cultura é dar de comer ao faminto. Se é tradição o latifúndio improdutivo, Cultura é permitir que, quem sabe, pode e quer, que o faça produzir. Se foi tradição servil imitar a arte alheia, surgiram os Pontos de Cultura para liberar a nossa criatividade, engenho e arte.
Os Pontos de Cultura vêm nos lembrar que não se pode privatizar a denominação de Artista, pois Artistas somos todos nós, seres humanos: somos os inventores do mundo. Todos nós somos capazes de produzir Arte, – não uns melhor que outros, mas cada um melhor do que si mesmo.
Esta é, em Arte, a única competição que devemos aceitar: eu, comigo. Como escreveu o poeta quinhentista português, Sá de Miranda: “Comigo me desavim, sou posto em todo perigo, não posso viver comigo, nem posso fugir de mim”. Isto é Arte: todos nós conosco nos desavimos e, como somos artistas, nos desaviremos sempre, conosco e com o mundo, até mudarmos o mundo que temos, e mudar o que faremos.
Se era tradição nortear nossos passos pelo que fazem os países do Norte, temos agora que usar o neologismo de um amigo meu, temos que “sulear” nossos caminhos, estendendo a mão amiga aos países que estão nesta mesa, e a outros que, nesta mesa, também têm assento e, no nosso coração, lugar.
Reconhecemos a nossa fraternidade com os países da América Latina, como o Equador; africanos, como a África do Sul; asiáticos, como a imensa Índia; e eu, como bom português trasmontano que também sou, de Justes e Vila Real, saúdo a presença querida de Portugal.
Muito obrigado.
Salão Nobre do Theatro Municipal
Convidamos você! Participe conosco!
Dia 12 de agosto, segunda feira, às 19h.
A Sociedade Brasileira de Autores Teatrais – SBAT é uma sociedade sem fins lucrativos, definida como de utilidade pública, que arrecada e distribui direitos autorais aos seus associados. A Sociedade também atua recolhendo os direitos de autores de outros países encenados no Brasil e enviando esses direitos para as Sociedades congêneres no exterior. Bem como recebe os direitos dessas mesmas Sociedades quando nossos autores são encenados no estrangeiro.
A SBAT foi sempre dirigida e administrada por autores teatrais e compositores, integrantes do seu quadro social e eleitos em Assembléias Gerais. Sua missão é zelar pelos direitos do autor, difundir a dramaturgia e estimular a atividade autoral realizando plenamente sua vocação de centro cultural da dramaturgia no país. Ela é a guardiã da obra teatral, dos grandes direitos, do imenso acervo teatral brasileiro e também garante o cumprimento da Lei de Direito Autoral. Na SBAT a propriedade intelectual dos nossos autores e de seus descendentes sempre esteve e sempre estará garantida.
Desde 1917 em defesa do direito autoral.
Reconhecida como Utilidade Pública Federal pelo Decreto no 4.092 de 4 de Agosto de 1920.
A SBAT foi fundada em 1917 por obra de Chiquinha Gonzaga que via suas composições se difundindo pelo país e até pelo mundo sem que houvesse nenhum pagamento por isso. Seu primeiro presidente foi João do Rio e contou com Viriato Correia para secretariar e assinar a Ata de Fundação no dia 27 de setembro de 1917.
Gestões incompetentes e fraudulentas levaram, nos últimos anos, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais a um situação extremamente difícil de quase insolvência. Aderbal Freire Filho junto com Alcione Araujo, Ziraldo e Millôr Fernandes, em 2004, assumiram a responsabilidade sobre a SBAT, através de um Conselho Diretor e decidiram reabilitar a Sociedade. Mas as dificuldades foram tantas e tantos eram os problemas acumulados que ao longo desses quase dez anos a situação foi piorando. Aderbal acabou ficando sozinho nessa luta e até comprometendo seu patrimônio pessoal tal era o montante das dívidas trabalhistas e impostos atrasados. Mas pela SBAT, o grande marco cultural do país, a casa do Teatro Brasileiro, que foi a primeira Sociedade de autores criada na América Latina, valia a pena lutar para preservar esse grande patrimônio cultural do país.
Aderbal, no Rio de Janeiro, reuniu em abril desse ano, a classe teatral no Teatro Ipanema e explicou em detalhes os fatos que levaram a SBAT a essa situação extremamente difícil. Embora tardiamente, pediu ajuda e apoio à causa da SBAT, que estava prestes a fechar suas portas. A classe reunida imediatamente se prontificou a ajudar com apoio de considerável maioria que se organizou e passou a ocupar a nossa Sociedade impedindo seu fechamento. Daí surgiu o Movimento SBAT – 100 anos 1917 – 2017, com o objetivo de chegar ao centenário com as contas saneadas. Com isso queremos que a SBAT volte a ser reconhecida como a casa do artista brasileiro. O Movimento pensa uma SBAT para o futuro que viverá não somente da arrecadação dos direitos teatrais, mas também dos direitos audiovisuais, devolvendo a ela o seu papel de pólo irradiador de cultura.
Nosso objetivo é fazer o mesmo em São Paulo: uma reunião para esclarecer as razões para que a classe teatral paulista participe também dessa luta. Para isso preparamos um encontro num espaço simbólico para a cultura brasileira, o
Salão Nobre do Theatro Municipal.
Convidamos você! Participe conosco!
Dia 12 de agosto, segunda feira, às 19h.
A todos los hombres que aman la libertad y luchan por un mundo mejor. Dedicatoria de Pedro Berruti al comienzo de su versión comentada de Un enemigo del pueblo de Ibsen.
Por Carlos Fos
“No vengo, pues, a distribuir halagos ni prometer liberalidades. Me dirijo al país, no para darle, sino para pedirle, bajo el signo imperioso del grave momento en que se encuentra. Para pedirle esfuerzo, continencia y sacrificio.”
Palabras del presidente de facto Eduardo Lonardi pronunciadas en su discurso del 16 de octubre de 1955
Baixe o texto aqui
Fiéis seguidores do blog do Instituto A. Boal, se vocês têm um tempinho, divirtam-se lendo essas duas críticas teatrais. A primeira foi escrita em 1981 por Yan Michalski no Jornal do Brasil, sobre a peça A Tempestade com texto de Augusto Boal. A segunda, da toda poderosa Bárbara Heliodora, refere-se a O Patrão Cordial, de Sérgio de Carvalho, atualmente em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.
É interessante notar as semelhanças na linguagem, embora tenham-se passado mais de trinta anos. Os dois críticos coincidem em dizer que os espetáculos apresentam “discurso panfletário”, “superado”, “caricato”, “inaceitável”, “maniqueista”, e uma “linguagem defasada”.
Bárbara qualifica o Patrão de “obra antiquada”, oferecendo uma “crítica sociopolítica simplória” e uma “expressão dramática pobre e repetitiva”. Yan escreve que a obra do Boal “reduziu (…) a um esquematismo (…) ineficiente (…) uma realidade tão infinitamente mais complexa”. Segundo Bárbara, a obra do Sérgio “reduz tudo a uma simplificação quase de história em quadrinhos”.
Mudamos de século, mas os críticos utilizam a mesma linguagem para se referir à espetáculos focados em preocupações políticas e sociais.
O que houve com os críticos? Será que em trinta anos não evoluiram nada?

É com muita emoção que partilhamos o convite da turma Augusto Boal, para celebrar a conclusão do curso de graduação em Arte e Educação promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), no próximo dia 19 de julho.
Visualize o convite aqui
Para a ocasião, publicamos aqui o texto A Terra é redonda!, homenagem de Augusto Boal ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.
A TERRA É RED0NDA!
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