Augusto Boal

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Em 1968, o Teatro de Arena de São Paulo organizou a Primeira Feira Paulista de Opinião, reunindo dramaturgos, compositores, artistas plásticos e cineastas. A montagem era composta de seis peças, de autoria de Lauro César Muniz, Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade, Bráulio Pedroso e Plínio Marcos.
O texto foi encaminhado para análise da censura, que demorou muito tempo para se manifestar – procedimento que, de acordo com pesquisadores do teatro feito na época da ditadura, era comumente empregado para inviabilizar as apresentações.
Como tardava a vir uma resposta, a atriz Cacilda Becker, então presidente da Comissão Estadual de Teatro de São Paulo, redigiu carta endereçada ao general José Bretas Cupertino, chefe do Departamento de Polícia Federal, solicitando a liberação integral da peça, “sem a mutilação de qualquer de suas partes”.
O documento pode ser visto neste link: Carta de Cacilda.
Por fim, os censores cortaram 65 das 80 páginas da Feira – e uma grande articulação de artistas foi organizada para denunciar a proibição e apresentar trechos das peças. No grande ato organizado no Teatro Ruth Escobar, foi Cacilda Becker quem tomou a palavra para ler um manifesto dos artistas contra a censura no Brasil.
 

Por Adailtom Alves Teixeira

 

A questão central é descobrir se você quer uma cidade para as pessoas ou para o lucro. Para construir uma cidade diferente, é preciso ser anticapitalista. Não há outra forma.

David Havey

 
A Rede Brasileira de Teatro de Rua (RBTR), formada em 2007, realizará de 21 a 27 de março, na cidade de Londrina/PR, seu XIV Encontro, que vem se desenhando para ser um dos maiores até o momento, pois deve reunir mais de duzentos articuladores de todo o Brasil – que arcarão com os custos das passagens, que, diga-se de passagem, são bastante onerosas em ano de Copa. A recepção dos articuladores ficará a cargo do Movimento dos Artistas de Rua de Londrina (MARL), que realizará também uma Mostra, com apresentações de artistas e grupos locais.
A RBTR é a única rede organizada nacionalmente em seu seguimento e a que mais cresce. Negligenciada pelo poder público, tem à sua frente muitos desafios. Por outro lado, justamente por não ter nada a perder, pode radicalizar sua luta. (mais…)

Aderbal Freire Filho, ilustre membro do conselho do Instituto Augusto Boal,  é o vencedor do prêmio Shell 2013 na categoria Direção, com a peça Incêndios.

Socializamos a versão final do TCC de Fabiana Francisca do Rosário, da turma 3 da Ledoc da UnB, assentada no Virgilândia, e integrante do grupo Arte e Cultura em Movimento, e Coletivo Terra em Cena.
A banca de defesa foi composta pelos professores Rayssa Aguiar Borges e Felipe Canova.
Tema: TEATRO DO OPRIMIDO E O PROCESSO DE FORMAÇÃO POLÍTICA: ESTUDO DE CASO SOBRE O COLETIVO ARTE E CULTURA EM MOVIMENTO.
TCC Fabiana VF TO e formacao politica grupo Arte e Cultura em Movimento
 

Belíssima carta de Flávio Império endereçada a Augusto Boal:

50 anos do golpe: uma entrevista com Silvio Tendler (I)

Silvio é membro do Conselho do Instituto Augusto Boal
Se dez vidas ele tivesse, com todas elas faria cinema político.

10/03/2014 – Copyleft- Léa Maria Aarão Reis

“Não há censura política, mas há uma censura econômica em cima dos filmes políticos brasileiros que pertencem a uma bela safra de produções de alta qualidade, mas à qual o povo não tem acesso,” diz o cineasta Silvio Tendler, professor de cinema e história na Faculdade de Comunicação da PUC-Rio e festejado diretor de dois clássicos do nosso cinema político – Jango e Os anos JK, as maiores bilheterias de docs nacionais. Conversamos com Tendler no escritório da sua produtora, a Caliban, no Rio de Janeiro, em Copacabana, onde ele também respondeu às perguntas enviadas de Buenos Aires pelo jornalista argentino Dario Pignotti. Dividimos, por isto, a sua entrevista em duas partes.
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                                                                        Divulgação/Jairo Goldflus

Por Eduardo Campos Lima

Antonio Fagundes ingressou no Teatro de Arena de São Paulo em 1966, como ator da peça Farsa de Cangaceiro com Truco e Padre, de Chico de Assis, encenada pelo Núcleo 2. No ano seguinte, substituiu Jairo Arco e Flexa em Arena Conta Tiradentes, passando ao núcleo principal.    Encerrada a temporada, trabalhou na encenação de O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht – peça que ficou um único dia em cartaz. O fracasso se deu, segundo ele, devido ao descompasso entre as condições de produção do Arena e as proporções do Teatro Hebraica, onde foi apresentada. “Era um palco italiano monstruoso, com um elenco pequeno, em uma peça do Brecht. Então, aquilo sumiu no palco”, analisa.

Enquanto montavam, ao longo de apenas uma semana, o próximo trabalho – La Moschetta, de Angelo Beolco –, da qual participaram, além de Fagundes, Sylvio Zilber, Myriam Muniz e Gianfrancesco Guarnieri, tinha início a preparação da Primeira Feira Paulista de Opinião, organizada por Augusto Boal a partir de ideia do dramaturgo Lauro César Muniz.

Na entrevista a seguir, Fagundes fala sobre a Feira, que congregou alguns dos mais importantes autores do período, além de compositores e artistas plásticos.

O projeto de fazer a Primeira Feira Paulista de Opinião chegou a vocês, atores? Como foi o processo de concepção?

Chegou, pois sempre conversávamos muito no Arena, tudo era muito discutido. Mas, na verdade, isso veio mais da cabeça do Boal. Foi ele quem organizou. Ele tinha uma peça, o Guarnieri tinha uma outra peça… Eram peças curtas, de dez, quinze minutos cada uma. (mais…)

Mais dois textos da sessão “Do baú do Boal”, onde BOAL desenvolve sua faceta de contista e narrador.
A AGULHA
JANET NO FIM DO ANO 2002 NO SD