A Cia. Ocamorana debate os avanços e refluxos da história política recente do Brasil na peça Três Movimentos, que terá apresentações neste fim de semana no Centro Cultural São Paulo, como parte da programação especial O imaginário dos 50 anos do golpe.
Dividida em três partes, a peça aborda as décadas de 1970, 1990 e o período atual – cada uma delas apontando para um horizonte político e para os caminhos possíveis para a luta. (mais…)
Acesse aqui o artigo MST Conta Boal, do professor Rafael Litvin Villas Bôas, da Universidade de Brasília, sobre as relações históricas entre as Ligas Camponesas, o Teatro de Arena, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e Centro de Teatro do Oprimido.
Carolina Ribeiro é estudante do último ano em uma escola de Miami, Estados Unidos, onde preside o clube de teatro. Ano passado participou de uma oficina de Teatro do Oprimido e descobriu que o teatro pode ser praticado para a transformação social. Neste vídeo (clique aqui para assistir), Carolina conta sua experiência com TO e fala de como ele mudou sua visão sobre a arte. Ela descreve a encenação de que participou, baseada no caso do assassinato do jovem afro-americano Trayvon Martin, ocorrido em 2012, na Flórida.
A Pereira da Tia Miséria, do núcleo Ás de Paus (Londrina/PR). Foto de Natália Turini
Por Eduardo Campos Lima
Começa amanhã (04/04) a 8ª Mostra de Teatro de São Miguel Paulista, em São Paulo. Até o dia 13/04, o festival, organizado pelo grupo Buraco D’Oráculo, reunirá artistas e coletivos de teatro de rua de todo o Brasil, que apresentarão 12 espetáculos, além de intervenções circenses.
Inteiramente gratuita, a mostra vai apresentar um painel do que vem sendo produzido no teatro de rua brasileiro – e incluirá também um coletivo teatral argentino. Todas as apresentações serão na Praça do Casarão, na zona leste de São Paulo.
“Palhaços do norte do Brasil, um Shakespeare montado com base na cultura popular nordestina, dança-teatro do Centro-Oeste – tudo feito por grupos que têm uma visão política contundente. Esse caldo é o que faz com que essa edição seja muito importante para o público e para os artistas”, afirma Adailton Alves Teixeira, do Buraco D’Oráculo. (mais…)
Maria Rita Kehl, coordenadora da Comissão Nacional da Verdade e vice-presidente do Instituto Augusto Boal, enviou carta à Folha de S. Paulo em que diz o que pensa da ditadura militar brasileira, apontando que o regime promoveu uma “sinistra marcha a ré no processo de modernização” do Brasil. Veja o texto abaixo.
Ao contrário do que alegam alguns torturadores aposentados, o golpe de 1964 não visava impedir que o Brasil se transformasse em uma nova Cuba. Durante 21 anos de ditadura civil militar, os brasileiros foram submetidos às mesmas violações de direitos humanos da ditadura cubana: prisão e assassinato de opositores do regime, censura à imprensa e às artes, arrocho salarial e repressão violenta às liberdades civis. Do regime de Fidel Castro, a ditadura brasileira só não reproduziu a redução da desigualdade social – principal objetivo das reformas de Jango, varrido do mapa pelos sucessivos governos militares que, entre 64 e 85, promoveram uma sinistra marcha a ré no processo de modernização tardia do nosso país. (Maria Rita Kehl, São Paulo, SP.)
Confira a programação do Festival de teatro “O imaginário dos 50 anos do Golpe” no Centro Cultural São Paulo.
dia 1º/4 – terça – 16h
Liberdade é pouco Grupo: Redimunho e convidados – texto: Dorberto Carvalho – direção: Rudifran Pompeu – elenco: Edmilson Cordeiro, Daniela Solano, Sergio Audi, Monica Raphael, Dorberto Carvalho e Rudifran Pompeu Documentário cênico-poético. (75min, livre)
Espetáculo livremente inspirado no texto Liberdade, Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, que foi encenado em 1965, no Rio de Janeiro, pelos grupos Opinião e Teatro de Arena. Na atual encenação um anjo, um corifeu e uma mãe, acompanhados de um coro, transitam por espaços e tempos, a partir de cenas, narrativas, depoimentos, frases, fragmentos de poemas e intervenções musicais que compõem um pequeno inventário sobre a censura, a tortura e a trajetória dos mortos e desaparecidos durante um dos períodos mais obscuros de nossa história recente.
Entrada franca – sem necessidade de retirada de ingressos
Espetáculo itinerante, espaços externos (mais…)
Em 1970, menos de dois anos depois de escrever a peça O Líder, que integrou a Primeira Feira Paulista de Opinião, Lauro César Muniz escreveu O Mito, que faria parte da Feira Brasileira de Opinião, organizada por Ruth Escobar. Entretanto, a peça foi completamente proibida e a Feira não chegou a ser realizada.
Hoje, 50 anos depois do golpe militar de 1964, O Mito será lida pelo grupo Os Fofos Encenam, sob direção de Fernando Neves, como parte das atividades da Vigília pela Liberdade, organizada por Os Satyros. A programação completa pode ser acessada aqui.
Fernanda Azevedo em cena, na peça Morro como um país
Por Eduardo Campos Lima
No dia 18 de março, a atriz Fernanda Azevedo, da Kiwi Cia. de Teatro, recebeu o prêmio de melhor atriz na 26ª edição do Prêmio Shell, em São Paulo. A premiação se relacionou ao seu trabalho na peça Morro como um país, que esmiúça os elementos constitutivos da ditadura brasileira – e de outras ditaduras do século 20 – e os relaciona com suas permanências no presente.
A atriz trocou o discurso padrão de agradecimento pelo protesto, lendo um pequeno texto do escritor uruguaio Eduardo Galeano:
“No início de 1995, o gerente geral da Shell na Nigéria explicou assim o apoio de sua empresa à ditadura militar nesse país: ‘Para uma empresa comercial, que se propõe a realizar investimentos, é necessário um ambiente de estabilidade. As ditaduras oferecem isso'”.
Na entrevista a seguir, Azevedo fala sobre a decisão da Kiwi de utilizar a ocasião para se manifestar e sobre a relação do protesto com a peça do coletivo, que terá uma curta temporada de 26 de março a 17 de abril, no CIT-Ecum, em São Paulo (rua da Consolação, 1623, quartas e quintas, às 21h). (mais…)