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O Óprima! é um encontro de Teatro do Oprimido e Ativismo, que se realizou pela primeira vez em 2012, dinamizado por um conjunto de grupos e associações ligadas ao ativismo e que pretendem utilizar o Teatro do Oprimido no quadro das lutas sociais em que estão envolvidos. A primeira edição foi em Lisboa, a segunda, em 2013, em Braga e a terceira, em 2014, na Arrentela, Seixal. Este ano acontecerá no Porto e contará com vários participantes e convidados nacionais e internacionais. Para além de oficinas reservadas aos participantes, vários momentos serão abertos ao público.
PROGRAMA ABERTO: (mais…)
Divulgada a programação do seminário Ditadura e Transição Democrática – 5 anos do Memórias Reveladas nos 50 anos do golpe de 1964
De 12 a 16 de maio no Arquivo Nacional
Praça da República, 173, Centro, Rio de Janeiro

Dia 12/05 – segunda-feira
10h – 13h – Salão Nobre
• Reunião da Comissão de Altos Estudos do Centro de Referência Memórias Reveladas (mais…)
A coluna do Prosa e Verso, do Globo de ontem, lembrou a homenagem que será feita hoje, no salão do livro de Paris, ao teatrólogo Augusto Boal.

Como parte das comemorações do aniversário de Augusto Boal, no último dia 16 de março, nos foram enviados quatro vídeos de grupos que praticam Teatro do Oprimido nos quatro cantos do mundo: Off the Hook (Estados Unidos), GTO-Montevideo (Uruguai), Forn de Teatre Pa’tothom (Espanha) e Jana Sanskriti (Índia).
Agradecemos carinhosamente a todos esses grupos pelo envio desses lindos presentes.
Off the Hook, Nova Iorque, Estados Unidos
[wpvideo QSt8XVN6]
GTO-Montevideo, Montevidéu, Uruguai
[wpvideo x2UppskM]
Forn de teatre Pa’tothom, Barcelona, Espanha
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=LnYH8taEcVk&w=560&h=315]
Jana Sanskriti Centre for Theatre of the Oppressed, Calcutá, India
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=s00RqIUkMSs&w=560&h=315]
É com grande satisfação que o Instituto Augusto Boal comunica que, por iniciativa da curadora Guiomar Lagrammont, será realizada, no dia 23 de março, no Salão do Livro de Paris, uma homenagem ao teatrólogo brasileiro Augusto Boal.
Participarão do evento o teórico de teatro Olivier Neveux, professor da universidade da Sorbonne, e os atores Maurice Durozier, Eve Doé-Bruce e Aline Borsari, membros do Théâtre de Soleil, que farão a leitura para o público de uma entrevista dada por Boal na França durante os anos do seu exílio.
Cabe ressaltar que o Brasil é o país homenageado nesta edição 2015 do Salon du Livre.
A entrevista que será lida durante o evento está disponível no blog.
PARA HELENA , SERGIO e JULIAN
OS QUE FICAM
Somos os que ficam, os que ficam porque não morremos ou não nos mataram ou não fomos embora, não desaparecemos
E temos uma p… responsabilidade
A responsabilidade de contar a historia, a responsabilidade da transmissão
E que mais?? retomar o jogo? botar a bola para rolar de novo??
Os que ficam …e agora que…????
vcs jogaram essa batata quente sobre todos nos
Vc, Sergio, Helena e Julian
Amo vcs e gostaria que todo mundo saiba disso
Agora quem está chorando sou eu
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=W3czsEHiHS8&w=560&h=315]
Canção do espetáculo OS QUE FICAM (2015), sobre a trajetória de exilados políticos nos anos 1970, apresentado no quadro da exposição Augusto Boal, no CCBB do Rio de Janeiro.
Música de Martin Eikmeier, letra de Sérgio de Carvalho.
Por Rafael Villas Bôas
Professor da UnB
O que testemunhei ontem, no primeiro dia da ação de despejo do Acampamento Dom Tomás Balduíno, merece ser compartilhado: um claro exemplo de que, na luta pela terra, nem sempre um passo atrás significa a derrota, mas apenas um impulso para consolidar a vitória vindoura.
O grupo da UnB, formado pelos professores Erlando Reses, da Faculdade de Educação, Luis Carlos Galetti, do Instituto de Ciências Sociais, Rafael Villas Bôas, da Educação do Campo, e pelo doutorando da Faculdade de Comunicação, Felipe Canova, saiu de Brasília de madrugada para acompanhar a ação de despejo. Pela magnitude da ação, que envolve mais de mil e quinhentos policiais para despejar três mil famílias sem terra, todos ali sabiam que o desenlace poderia acabar em tragédia. Na assembleia geral do acampamento, por unanimidade, todos concordaram que naquela conjuntura, após terem resistido por meses com ameaça constante de despejo, naquele momento não havia condição para resistência. (mais…)
Via Revue Période
Si le « théâtre forum » est aujourd’hui une pratique largement connue, investie pour tous types d’objectifs, militants, associatifs, voire récupérée par certaines pratiques managériales, son inventeur, Augusto Boal, était un militant révolutionnaire. Dans l’entretien à venir, issue d’un chapitre inédit de Jeux pour acteurs et non-acteurs, Boal revient sur la trajectoire du théâtre populaire et révolutionnaire en Amérique latine, ainsi que ses liens avec les procédés et méthodes d’avant-garde ou européennes. Il défend une figure de l’artiste comme entité collective, non spécialisée, capable de s’adapter aux réalités sociales et d’inventer les procédés d’un théâtre émancipé. (mais…)
Por Natalia Conti, via Blog Convergência
A Mostra Augusto Boal, sediada no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro desde o dia 13 de Janeiro de 2015, traz aos palcos, murais, vozes, aquela que foi uma das principais figuras do teatro brasileiro. A amarração de vários campos – música, cinema, leituras, oficinas teatrais, fotografia – faz da mostra uma antessala para quem quer chegar mais perto, e serve de convite para a iniciação/aprofundamento no conhecimento teatral do dramaturgo que levou a sério a necessidade de desdobrar o programa político-estético-método Brecht.
A começar pela compilação de nomes fortes do teatro épico no Brasil, a largada é dada pela Companhia do Latão, encenando a peça Os que ficam, que trabalha textos da autoria de Boal e apresentam questões ao público – como é de costume do grupo – atuais para pensar o nosso lugar frente aos problemas políticos e sociais do país, o nosso lugar como atores. Para isso, misturam as trajetórias familiares de luta contra a ditadura, alguns se apresentando como filhos de militantes de política e de teatro; a leitura por Julian Boal de cartas de seu pai aos seus companheiros de trabalho no Brasil, desde o exílio; uma dura crítica à produção mercantil de arte na televisão, e a instrumentalização do trabalho do ator neste espaço; e questões que são de ontem e se mostram gritantes, de hoje, como a fragmentação da esquerda e a necessidade de pensar a política estratégica.
O grupo bota no palco a atualidade de Boal, de sua Revolução na América do Sul, da luta pela memória – em tempo de Caravanas da Anistia e Comissão da Verdade – e apresenta o teatro como chave para a abertura de caminho de transformação e emancipação. Com ares ainda quentes de sua Ópera dos Vivos, da qual ainda podemos sentir os cheiros, o Latão encena respostas possíveis, sem encerrá-las conclusivamente, remetendo ao expect-ator, como gostava de chamar Boal, a responsabilidade e inquietação de pensar o próprio papel.
Quando adentramos o salão da exposição, vemos projetadas as fotos conhecidas das encenações do Teatro de Arena de São Paulo e Rio de Janeiro. Arena conta muitas coisas, Show Opinião, e tudo o que figura no imaginário do teatro político da década de 1960. Vendo os materiais produzidos por Boal – disponíveis para leitura na sala – percebemos que era alguém que costurava finamente as necessidades da vida com o desenvolvimento da técnica teatral, correndo distante de uma concepção da arte pela arte. O teatro do Oprimido, política poética desenvolvida por Boal ao longo de décadas de trabalho com grupos de vários países do mundo, nos dá a possibilidade de aproximar ainda mais a arte da vida, sobretudo da política e dos modos de vida, quando coloca no papel de ator todo e qualquer homem e mulher que têm questões e vive problemas coletivos. Tira do âmbito privado os problemas e, em praça pública de qualquer viela e rincão, de qualquer país do mundo, de Moçambique à Áustria, do Chile à Índia, pergunta aos expectadores qual é o problema. Há alguma coisa nessa cena que podemos mudar? Como podemos faze-lo?
Os vídeos que apresentam o impacto d’O teatro do Oprimido no mundo todo evidenciam o seu caráter político e a sua vivacidade. Boal era não só um Brechtiano ortodoxo, mas arrojado e inventivo, por não levar a algum lugar a voz dos oprimidos e explorados, mas criar ferramenta para que estes mesmos o fizessem, e representassem as possibilidades de suas vidas cotidianas, de seus enfrentamentos de classe. Um vídeo chama bastante atenção, de Moçambique, onde um grupo de uma comunidade encena uma situação em que uma mulher faz o teste de HIV e se descobre soropositiva, e tenta convencer o companheiro de que este tem também de fazer o teste, ao que é negado. A ferramenta incorpora as vozes da própria comunidade para resolver o nó apresentado, e funciona como espécie de peça-didática para a educação de seus pares.
Outro elemento importante da mostra é a voz de Juçara Marçal, que representa a potência de uma nova geração de músicos paulistanos cantando o Zumbi do Arena e de Boal, consonante com o som de Metá Metá. Fechando os olhos ou olhando bem fundo, ouvimos em sua voz o terreiro de seu disco Encarnado se misturar ao terreiro de Maria Bethania no show Opinião, ou em Arena conta a Bahia. Coisas que só ouvindo para entender.
Por fim, as demais atividades que confluem a Mostra dão um tom de movimento, de coisa viva, pedindo para ser assumida e reinventada. Boal era um homem de movimento, além de gente de teatro. E seu legado ao teatro e aos oprimidos/explorados do mundo inteiro é uma ferramenta política e estética potente de questionamento, elaboração coletiva e possibilidade de forjar sujeitos de si e da História, com H maiúsculo.