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Por Cláudia de Arruda Campos – Universidade de São Paulo
Internacionalmente conhecido e respeitado, o diretor de teatro,
dramaturgo, teórico, autor, entre outras, das propostas
enfeixadas na rubrica Teatro do Oprimido, o múltiplo Boal se
unifica no Boal militante, sempre atento às causas políticas,
sociais, humanas. Atento e atuante. Este artigo pouco pretende
além de repercutir essas qualidades, e, no percurso, somar
ao reconhecimento.
Leia o artigo na íntegra aqui.
No próximo dia 14 de outubro, o filme Memória do Subdesenvolvimento, de Alexandre Pena, vai ter uma exibição para convidados no Museu Imperial de Petrópolis.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=wiuElNxGwhA&w=560&h=315]
Priscila Matsunaga é professora da Letras da Ufrj e colaboradora do Instituto Augusto Boal de longa data
O espetáculo Eles não usam tênis naique provocou estas reflexões que publicamos aqui
Fica aberto o debate
Kanagawa, Brasil. Eles não usam tenis naique
O Movimento Ocupa DOPS conjuntamente com o Instituto Augusto Boal convida:
Homenagem a Raul Amaro, com leitura de textos e depoimentos relativos a sua tortura e morte.
Também serão lidos poemas de Carlos Marighella e um texto do novo livro da escritora Guiomar de Grammont ” Palavras cruzadas”
Participam desta apresentação: Maria Rita Kehl, Guiomar de Grammont, Maria Marighella, Renata de Oliveira, Ester Jablonski, Bruno Marcos, Higor Campagnaro, Fernando Philbert e Felipe Nin.
Sábado, dia 22/08, às 16hs.
Rua da Relação, 40- Lapa, Rio de Janeiro
Em frente ao prédio do ex-DOPS/RJ
Dramaturgia do Teatro-Fórum
Responsáveis Julian Boal e Geo Britto
A proposta da Oficina é trabalhar a seguinte questão: Como se constrói uma pergunta para o Teatro-Fórum?
Nessa oficina, os participantes irão se inserir num processo de construção de peça de Teatro-Fórum. Nesse processo, irão adquirir experiência de jogos e técnicas do Teatro do Oprimido, além de técnicas de curingagem, para o processo de desenvolvimento de peças de Teatro-Fórum que não possibilitem a responsabilização individual do oprimido, mas sim que exijam respostas sobre como podemos nos organizar para mudar essa sociedade que permite e incentiva a opressão.
Ao montar peças de Teatro-Fórum que colocam sempre a frente a possibilidade de escolhas individuais, sem nunca se perguntar quais são os opções concretas que tem os oprimidos, leva-se ao risco de cair na ideologia Nike: “Just do it”. Isso pode se transformar numa armadilha que culpabiliza o oprimido, individualizando-o e não contextualizando sua situação dentro da sociedade. Por exemplo, pedir ao público para tomar o lugar de uma mulher no exato momento em que esta será brutalizada pelo seu marido só reforça a ideia perigosa de que a vítima da agressão pode, sozinha e a qualquer instante, se livrar desta. Se ela não o faz, ela é de certa maneira responsável por sua própria situação. Esta oficina terá como objetivo principal desenvolver nossa atenção contra este tipo de armadilha ideológica.
Toda peça de Teatro-Fórum é uma pergunta, dirigida ao público, sobre a opressão que o oprimido sofre e que não sabe como rompê-la. O fato de que nós, os curingas, não podemos impor o tema e a história não diminui nossas responsabilidades na construção da peça, da pergunta. O curinga tem uma responsabilidade estética e política nesse processo.
De 10 a 14 de setembro nos seguintes horarios : quinta , sexta e segunda de 18 as 22 horas
Sábado e domingo das 10 as 18 horas
Carga horária : 28 horas
Informaçoes nos telefones 2232-5826 e 2215-0503
moniquerodrigues@ctorio.org.br
Cto Rio de Janeiro Men de Sá 31, Lapa
via Folha de São Paulo – Nelson de Sá
Com grande engenhosidade na dramaturgia, ‘Os que Ficam’ tenta encenar texto dos anos 1960 do dramaturgo
Ansiava-se há tempos pelo encontro da Cia. do Latão de Sérgio de Carvalho com o Teatro de Arena de Augusto Boal (1931-2009). São os grupos do teatro político mais representativos em seus períodos – a atualidade e os anos 1950/60, respectivamente.
A ponte histórica acabou sendo lançada, um pouco fortuitamente, por uma mostra sobre Boal no Rio e agora pela mostra dos 18 anos da Cia. do Latão em São Paulo.
A “peça-ensaio” resultante, “Os que Ficam”, retrata uma tentativa de encenação em 1973, auge da repressão e da desesperança política, da peça “Revolução na América do Sul”, texto de Boal montado originalmente em 1960, em plena febre revolucionária na região.
O espetáculo tem alguns trechos daquela peça, mas sobretudo pensa sobre ela, conversa com ela e seu tempo. São personagens da época, a começar pela figura do diretor, Fernando, que remete ao ator, encenador e crítico Fernando Peixoto (1937-2012).
O próprio Boal comparece, em primeira pessoa, na forma de cartas enviadas do exílio, algumas de emocionante desencanto. Na curtíssima temporada no Sesc Bom Retiro, os textos são lidos por Lauro César Muniz, dramaturgo que foi lançado então pelo diretor.
BUSCA OBSESSIVA
O efeito imediato que o autor e diretor do Arena tem sobre o trabalho de Carvalho e do Latão – embora o espetáculo tenha nascido fora do grupo, com o elenco carioca – é o de transportá-los de volta aos primeiros espetáculos, como “Ensaio para Danton” (1996) e “Ensaio sobre o Latão” (1997).
Mais que “peças-ensaios”, o que mais as caracteriza e assemelha é serem as três apaixonadas pelos originais que buscam obsessivamente compreender: “Revolução”, “A Morte de Danton” e, na peça que deu nome à companhia, “Hamlet” e “A Compra do Latão”, texto teórico de Brecht.
Em “Os que Ficam”, conta-se uma história de censura e perseguição do teatro, num período que mudou o país e ao qual o título se refere, em parte: são aqueles que ficaram para trás, que não partiram como Boal, que seguem vivendo, e adaptam-se até à televisão.
Mas são também “os que ficam” no Brasil de hoje, sobreviventes e herdeiros, como os três atores do Latão que no início lembram, em depoimentos na primeira pessoa, as suas experiências de crianças da ditadura, ao lado de pais que a combateram ou não.
Podia ser mais uma peça sobre o assunto, entre tantas que há, porém seu mergulho é também formal, não só temático. Como na experimentação incessante de Boal, há grande engenhosidade na dramaturgia, da seleção dos trechos de “Revolução” aos depoimentos e cartas.
E há emoção de sobra, até compaixão, como havia em Boal, por todos os caminhos tomados pelo teatro, representados em “Os que Ficam” pela diáspora dos atores que não conseguem realizar a “Revolução”. Mas que tentam seguir em frente, de algum jeito.
OS QUE FICAM
QUANDO qui. e sex., 20h; sáb., 19h; dom., 18h; até 26/7
ONDE Sesc Bom Retiro – al. Nothmann, 185 – tel. (11) 3332-3600
QUANTO R$ 9 a R$ 30
AVALIAÇÃO ótimo
Sábado 27/06 – programação a partir das 16hs:
- Sarau do Cárcere
- Esquetes Teatrais de atores da Escola Martins Pena
- Projeção do curta “Ser Tão Cinzento”, de Henrique Dantas + bate-papo com Sylvio Tendler
- Homenagem a Inês Etienne Romeu: o Coletivo Criadouro apresenta a esquete “Memórias – Cena Curta a partir de depoimento de Inês Etienne Romeu”
- Homenagem a Estrella Bohadana
- Bloco “Filhos da Martins”
- Exposições: “Saudações Carcerárias” cedida pelo Grupo Tortura Nunca Mais/RJ e “Ausências” do fotógrafo argentino Gustavo Germano
- Intervenções artísticas, projeções de imagens e depoimentos de amigos e familiares em homenagem a Inês Etienne e Estrella Bohadana
- Oficina de Stencil e venda de camisetas do Ocupa Dops
- Pintura de faixas e grafite
Por Maria Rita Kehl
Sou obrigada a concordar com Nietzsche: na origem da demanda por justiça está o desejo de vingança. Nem por isso as duas coisas se equivalem. O que distingue civilização e barbárie é o empenho em produzir dispositivos que separem um de outro. Esta é uma das questões que devemos responder a cada vez que nos indignamos com as consequências da tradicional violência social em nosso país.
Escrevo “tradicional” sem ironia. O Brasil foi o último país livre no Ocidente a abolir a prática bárbara do trabalho escravo. Durante três séculos, a elite brasileira capturou, traficou, explorou e torturou africanos e seus descendentes sem causar muito escândalo. Nabuco percebeu que a exploração do trabalho escravo perverteria a sociedade brasileira – a começar pela própria elite escravocrata. Ele tinha razão. (mais…)
Romario José Borelli – O Estado de São Paulo, caderno Aliás.
10 de maio de 2009
Augusto Boal estava no auge de sua efervescência criativa quando foi preso pela ditadura no Brasil, em 1971. Havíamos chegado havia pouco da Argentina, onde tínhamos feito uma longa temporada de Arena Conta Zumbi.
Para a viagem a Buenos Aires, Boal já fizera questão de levar com o elenco de Zumbi seu grupo experimental Teatro Jornal. Era o momento no qual ele começara a romper com as formas clássicas de teatro e com seus próprios ajustes ao teatro brechtiano. Surgiram assim formas de trabalho teatral menos comprometidas com o espetáculo tradicional, menos formais, ajustadas a qualquer espaço e realizadas por qualquer pessoa que quisesse ou precisasse se expressar. Ou seja, os recursos teatrais usados por “não atores”, de onde surgiram os seus Teatro Jornal e Teatro Invisível, que finalmente desaguaram no Teatro do Oprimido. (mais…)